Política
12:06

Ciro Nogueira anuncia punição a ministro do Esporte que segue no governo Lula

O ministro do Esporte, André Fufuca, deverá permanecer no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, apesar da forte pressão de seu partido para que deixe o cargo. Nesta quarta-feira (8), o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, comunicou que Fufuca será punido, perderá o comando do diretório da sigla no Maranhão, seu principal reduto eleitoral, e será destituído da vice-presidência nacional do partido.

Ciro Nogueira afirmou, em nota, que em razão da decisão de desobedecer à orientação da Executiva Nacional e continuar no Ministério do Esporte, André Fufuca ficará afastado de todas as decisões do PP, bem como da vice-presidência nacional. Complementou que o diretório do Maranhão terá intervenção, retirando Fufuca do comando local, e ressaltou que o partido não fará parte do atual governo, com o qual não possui identificação ideológica ou programática.

Até o momento, André Fufuca não se pronunciou oficialmente sobre as punições.

O PP e o União Brasil, que formaram recentemente uma federação partidária, determinaram que todos os integrantes com cargos no governo Lula deveriam abrir mão desses postos sob risco de expulsão das legendas.

Fufuca, licenciado do mandato como deputado federal pelo PP do Maranhão, apoia a reeleição de Lula em 2026, apesar de ser próximo a Ciro Nogueira, que é um opositor declarado do presidente.

Na segunda-feira (6), o ministro do Esporte participou, junto do presidente Lula, de um evento de entrega de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida em Imperatriz (MA). Antes de discursar, ele conversou com Ciro Nogueira e declarou apoio ao presidente.

Em seu discurso, Fufuca afirmou estar ao lado do Lula responsável pelos programas Bolsa Família, Vale Gás, Pé-de-Meia, Mais Médicos, Mais Renda, Fies e Prouni, além de elogiar Lula por defender o Brasil no exterior. Ele afirmou: “Eu falo em alto e bom som, eu estou com Lula”.

Ainda no pronunciamento, o ministro fez uma referência indireta às pressões do PP, dizendo que mesmo que seu corpo esteja “amarrado”, sua alma, coração e vontade permanecerão livres para apoiar Lula em 2026.

A saída de Fufuca do comando estadual do PP antecipa a resolução de um impasse causado pela fusão entre PP e União Brasil. A nova aliança pretende colocar o diretório maranhense sob a liderança do deputado federal Pedro Lucas (MA), do União, que pode se candidatar ao Senado no lugar de Fufuca. Por enquanto, o partido descarta expulsar o ministro.

A punição ocorre em meio a uma intensa articulação entre Lula e o Centrão. O presidente declarou que não irá “implorar” por apoio partidário e aposta nos conflitos internos das legendas para fortalecer palanques regionais em 2026, mesmo com resistência das lideranças partidárias.

Embora União Brasil e PP exijam a saída de Fufuca do Esporte e de Celso Sabino do Turismo, o Planalto não demonstra intenção de alterar o primeiro escalão. Em agosto, Lula já havia manifestado incômodo com o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e criticado Ciro Nogueira por buscar vaga como vice em chapa com Tarcísio de Freitas, do Republicanos. Também reclamou de ministros das legendas por não o apoiarem em eventos partidários, afirmando que poderiam deixar o governo se quisessem.

Sobre Celso Sabino, ministro do Turismo, ele também resistiu ao ultimato de deixar o governo. Apesar de ter apresentado carta de demissão em determinado momento, permaneceu na pasta, contrariando as exigências do União Brasil. Na última sexta-feira (3), Sabino participou de evento em Belém (PA) com Lula, reafirmando a decisão de continuar no cargo.

Há processo disciplinar aberto contra Sabino pela Executiva Nacional, com possibilidade de expulsão e intervenção no diretório paraense, mas a saída imediata do ministro não é mais cogitada internamente.

Sabino declarou publicamente sua lealdade a Lula, afirmando que nem partido, cargo ou ambição pessoal o afastarão do povo paraense e do presidente.

Créditos: Correio Braziliense

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