Clubes em Ribeirão Preto suspendem venda de destilados após alerta de metanol
Nesta semana, quatro clubes de Ribeirão Preto (SP) — Magic Gardens, Palestra, Recreativa de Campo e Ipanema — interromperam a venda de bebidas destiladas, como uísque, vodca e gin. A decisão foi tomada após um alerta nacional sobre intoxicações provocadas por bebidas adulteradas com metanol.
O único clube que manteve a venda de destilados foi o Regatas. Segundo a diretoria, o clube não seguiu a recomendação porque compra há anos do mesmo distribuidor, que apresentou documentação oficial comprovando a legitimidade dos produtos. Eles afirmam que o estoque atual é suficiente para três a quatro meses e que qualquer risco de contaminação já teria sido identificado.
Conforme a Secretaria Estadual de Saúde, São Paulo contabiliza 162 notificações relacionadas à intoxicação por metanol, sendo 14 casos confirmados e 148 em investigação. Dentre os confirmados, dois resultaram em óbito, ambos na capital paulista. Há ainda sete mortes suspeitas sob análise, incluindo um caso em Cajuru (SP).
As unidades de saúde receberam orientações para reforçar o atendimento aos pacientes com sintomas de intoxicação, como dor abdominal intensa, tontura, confusão mental e alteração da visão. O atendimento médico em até seis horas após o início dos sintomas é crucial para evitar cegueira permanente e morte.
No Ipanema Clube, no bairro Campos Elíseos, que tem cerca de 800 associados, a diretoria decidiu suspender a venda de destilados para proteger os frequentadores. A operadora de caixa Patrícia Marques explicou que agora só são vendidas cervejas, água, refrigerantes, tônicos e energéticos, com os destilados armazenados em local separado.
No Magic Gardens, localizado no Jardim Alexandre Balbo e com 40 mil sócios, a suspensão abrange os 12 pontos de venda de alimentos e bebidas. O administrador Alexandre Balbo ressaltou a gravidade da situação como motivo para a medida.
O Governo de São Paulo montou uma força-tarefa que já prendeu 41 pessoas em 2025 por envolvimento na falsificação de bebidas, sendo 19 somente nesta semana. Desde o dia 29 de setembro, foram recolhidas 6,9 mil garrafas suspeitas, totalizando 50 mil garrafas e 78 mil rótulos apreendidos no ano.
Também foram realizadas mais de 43 mil fiscalizações em bares, adegas, restaurantes e comércios de bebidas nos 645 municípios do estado somente em setembro. A Vigilância Sanitária e entidades como a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) reforçaram orientações para a compra segura, recomendando a verificação de rótulos, lacres e procedência, e alerta para preços muito abaixo do mercado.
O metanol (álcool metílico) é usado industrialmente como solvente e combustível, sendo altamente tóxico quando ingerido. Seus sintomas incluem dor de cabeça intensa, náusea, vômito, dor abdominal, confusão mental e visão turva, que pode evoluir para cegueira, convulsões, coma e morte. O perigo ocorre porque o metanol se metaboliza em ácido fórmico, comprometendo a oxigenação celular e podendo causar falência múltipla de órgãos.
O Hospital de Clínicas (HC) de Ribeirão Preto receberá duas mil ampolas de etanol etílico absoluto, utilizado como antídoto no tratamento da intoxicação por metanol, conforme anunciado pela Secretaria Estadual de Saúde. Além disso, um laboratório da USP em Ribeirão Preto auxiliará no diagnóstico rápido com exames que têm resultados em até uma hora, visando atender casos encaminhados do interior para reforçar o trabalho da capital.
Créditos: g1