Colômbia prepara estado de emergência na fronteira com Venezuela após ataques dos EUA
O governo da Colômbia anunciou neste sábado (3) a preparação de uma declaração de estado de emergência econômica na fronteira com a Venezuela, em resposta à possibilidade de uma onda migratória decorrente dos ataques dos Estados Unidos e da captura do ditador Nicolás Maduro.
Essa medida prevê a oferta de assistência humanitária, incluindo serviços médicos e alimentação, além da mobilização de 30 mil soldados para controlar a extensa fronteira de mais de 2 mil quilômetros compartilhada com a Venezuela.
Angie Rodríguez, diretora da entidade presidencial Dapre, declarou durante coletiva em Cúcuta que o governo avalia a declaração de emergência econômica para obter recursos rapidamente. O documento já está elaborado e aguarda as assinaturas dos altos cargos do executivo.
O presidente colombiano Gustavo Petro qualificou as ações de Washington como uma “agressão à soberania” da América Latina, prevendo uma crise humanitária. Propõe que a situação seja resolvida por meio do diálogo, mas ordenou o reforço da proteção da fronteira, situada em uma região onde atuam grupos armados ilegais financiados pelo narcotráfico.
Petro tem criticado a mobilização militar ordenada pelo governo Trump no Caribe desde setembro e solicitou a realização, na segunda-feira (5), de reuniões da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir a legalidade internacional das ações dos Estados Unidos. A Colômbia possui este ano um assento como membro não permanente no Conselho de Segurança da ONU e, por isso, pediu a convocação do órgão.
O ministro da Defesa colombiano, Pedro Sánchez, afirmou que foram mobilizadas todas as capacidades para impedir qualquer tentativa de ataque terrorista proveniente de grupos ilegais, como o ELN (Exército de Libertação Nacional), na fronteira. Estudos indicam que essas guerrilhas operam em solo venezuelano com a anuência do governo chavista.
Como parte do combate ao narcotráfico, o ex-presidente Donald Trump tinha afirmado que não descartava atacar laboratórios de produção de drogas na Colômbia, declaração que Petro qualificou como ameaça de invasão.
Créditos: Folha de S.Paulo