Comitê do Nobel investiga possível vazamento sobre vencedora do Nobel da Paz 2025
O Comitê do Nobel da Paz iniciou uma investigação devido a suspeitas de vazamento do nome da premiada deste ano, depois que o nome de María Corina Machado subiu rapidamente nas apostas horas antes do anúncio oficial, na sexta-feira (10).
María Corina Machado é líder da oposição na Venezuela e, desde 2024, está foragida para escapar da repressão do governo de Nicolás Maduro.
Embora a indicação da venezuelana já fosse pública, no dia 8 de outubro ela não figurava entre as favoritas nas principais casas de apostas globais.
Na Polymarket, por exemplo, Machado tinha apenas 1% de probabilidade de vencer. Porém, na quinta-feira (9), por volta das 18h, cerca de 12 horas antes da divulgação oficial, a probabilidade atribuída a ela subiu abruptamente e ultrapassou 70% nas apostas.
Segundo Kristian Berg Harpviken, diretor do Instituto Nobel Norueguês, o comitê trata a escolha do prêmio com muita seriedade e, por isso, decidiu apurar o movimento suspeito.
A agência Bloomberg informou que um único apostador, que criou sua conta poucos dias antes e nunca havia feito apostas no site, aplicou US$ 70 mil (R$ 384,6 mil) na vitória de Machado pouco antes do anúncio, obtendo um lucro estimado em US$ 30 mil (R$ 164,9 mil).
A Polymarket comentou a investigação irônica e sucintamente nas redes sociais, limitando-se a publicar “whoops”.
Nascida em 1967 na Venezuela, María Corina Machado é uma voz proeminente da oposição democrática contra o regime de Maduro. Formada em engenharia e com estudos em finanças, iniciou sua trajetória no setor privado antes de se dedicar à política e à defesa dos direitos civis.
Em 1992, fundou a Fundação Atenea, que auxilia crianças em situação de rua em Caracas. Dez anos depois, participou da criação da organização Súmate, que promove eleições livres e transparentes, treinando observadores e fiscalizando votações.
Eleita deputada da Assembleia Nacional em 2010 com o maior número de votos, foi destituída em 2014 pelo governo chavista. Desde então, lidera o partido Vente Venezuela e ajudou a fundar a aliança Soy Venezuela, que reúne forças pró-democracia de diversas correntes políticas.
Em 2023, anunciou sua candidatura presidencial, mas foi impedida de concorrer pelo regime. Nas eleições de 2024, apoiou o opositor Edmundo González Urrutia, cuja vitória foi contestada pelo governo, apesar das provas apresentadas pela oposição.
O Comitê Norueguês do Nobel concedeu a Machado o Prêmio Nobel da Paz de 2025 por seu “trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo venezuelano e na busca por uma transição justa e pacífica da ditadura à democracia”.
O texto oficial da premiação afirma: “María Corina Machado mantém acesa a chama da democracia em meio à escuridão crescente”.
De acordo com o testamento de Alfred Nobel, o prêmio deve ser atribuído à pessoa ou organização que contribua significativamente para a fraternidade entre as nações, a redução de exércitos permanentes e a promoção de congressos de paz.
O ano de 2025 contou com uma campanha intensa para que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, recebesse o prêmio, encabeçada pelo próprio, porém especialistas já consideravam suas chances muito pequenas.
Entre os favoritos estavam o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, as Salas de Resposta de Emergência do Sudão e a Organização das Nações Unidas, que completou 80 anos.
O prêmio também oferece uma bonificação em dinheiro de 11 milhões de coroas suecas (aproximadamente R$ 6,2 milhões), entregue pelo Comitê Norueguês do Nobel em Oslo.
Créditos: g1