Como percepção pública, a desonra persegue Toffoli e Moraes
A reputação pública dos ministros do STF, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, está abalada por associações a escândalos financeiros recentes.
Toffoli tem enfrentado críticas por vínculos familiares com um fundo de investimentos suspeito. As manifestações de hostilidade pública refletem uma percepção de desonra que tende a se agravar conforme as investigações avançam. O STF, pressionado pelo cenário, anunciou a intenção de rever eventuais irregularidades internas.
Recentemente, Toffoli decidiu passar alguns dias de descanso em um resort de luxo na Argentina. Como as últimas notícias sobre ele envolvem esse tipo de local no Brasil, é possível que o ministro tenha buscado, além do lazer, um afastamento do olhar público, dadas as frequentes notícias negativas em que seu nome tem aparecido.
Essa fuga seria compreensível. Outros ministros do STF também sofreram hostilidades ou constrangimentos públicos em momentos de maior exposição. Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia, por exemplo, passaram por tais situações. A casa de Cármen chegou a ser pichada, e Moraes foi chamado de “comunista” e “fraudador de eleições” ao chegar a um aeroporto em Roma. Contudo, em todos esses casos, as críticas, embora rudes, eram direcionadas a posturas jurídicas.
Hoje, porém, o STF enfrenta uma situação inédita, com dois ministros, entre eles Moraes, associados a um grande escândalo financeiro recente. Reportagens anteriores indicaram que dois irmãos de Toffoli foram sócios de um fundo vinculado ao Master, no resort frequentado pelo ministro. Recentemente, foi revelado que a sede da empresa dos irmãos é uma casa modesta, e que a esposa de um deles desconhecia suas ligações com o resort. As notícias trouxeram suspeitas que prejudicam ainda mais a imagem pública de Toffoli, dificultando sua convivência em espaços públicos sem constrangimentos.
Historicamente, a honra, como conceito social, está ligada à percepção pública da excelência moral e intelectual do indivíduo. A desonra corresponde à perda dessa percepção. Para restaurá-la, o acusado deve apresentar defesas convincentes, algo que ainda não ocorreu com Toffoli ou Moraes.
Enquanto Toffoli pode continuar encontrando refúgio em resorts e Moraes usando jatos da FAB, o STF em si não dispõe de escapatória.
Diante desse contexto, merece atenção a nota divulgada pela Corte, assinada pelo presidente Edson Fachin. O texto sugere que Toffoli permanecerá relator do inquérito do Master e atribui a situação atual a “interesses escusos e projetos de poder”. Além disso, Fachin informa que o colegiado do STF examinará “eventuais vícios ou irregularidades” entre seus membros após o recesso judiciário. Esse último ponto é o aspecto mais promissor da nota, o que se espera seja sincero, pois uma Corte desacreditada correria risco de desmoralização aprofundada.
Créditos: O Globo