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Conselho do São Paulo aprova impeachment do presidente Julio Casares

O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou nesta sexta-feira o impeachment de Julio Casares, presidente do clube, em reunião realizada no salão nobre do Morumbi. A decisão foi tomada com 188 votos a favor da destituição. Com o afastamento imediato de Casares, o vice-presidente Harry Massis Júnior assume interinamente o cargo.

O processo de votação ocorreu em um formato híbrido, com votos presenciais e virtuais, concluído às 22h30 (horário de Brasília). Antes da apuração, Casares e os responsáveis pelo pedido de impeachment apresentaram seus argumentos aos conselheiros. Ao todo, 223 conselheiros participaram da reunião, garantindo o quórum mínimo de 191 membros para o início da votação.

O pedido de impeachment foi motivado por escândalos recentes envolvendo o presidente, incluindo investigações da Polícia Civil sobre suposto esquema ilegal relacionado a vendas de ingressos e desvio de dinheiro na venda de atletas, que teriam ocorrido desde 2021, início da gestão Casares. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram movimentações suspeitas na conta corrente de Casares, que teria recebido R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro entre janeiro de 2023 e maio de 2025. Foram também detectados 35 saques em dinheiro das contas do clube, totalizando R$ 11 milhões.

A repercussão desses fatos levou dirigentes próximos a Casares a se posicionarem contra ele, com o grupo político “Salve o Tricolor Paulista” protocolando oficialmente o pedido de impeachment, o qual recolheu 57 assinaturas de conselheiros, incluindo 13 de apoiadores da situação. Paralelamente, a Justiça determinou que o quórum necessário para a aprovação do impeachment fosse de dois terços dos conselheiros (171 votos favoráveis), revertendo um pedido da defesa de Casares que exigia 75% dos votos.

Se o impeachment for confirmado pelo Conselho, o presidente será afastado e substituído por Harry Massis Júnior, que permanecerá no mandato até o fim de 2026, conforme previsto no Estatuto do clube. Caso o pleito seja aprovado, a Assembleia Geral dos Sócios será convocada para a decisão final. Nela, os associados definem se Casares será definitivamente destituído ou se retornará ao cargo.

Harry Massis Júnior tem 80 anos, é empresário e sócio vitalício do São Paulo desde 1964, e já ocupou funções como diretor adjunto de futebol e diretor administrativo. A gestão de Casares enfrenta o momento mais turbulento devido aos escândalos recentes, que também foram alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo por gestão temerária e outros possíveis ilícitos administrativos.

No âmbito popular, as principais torcidas organizadas do clube, Independente e Dragões da Real, manifestaram publicamente sua insatisfação e pediram a renúncia do presidente. Enquanto a votação ocorria, torcedores protestaram do lado de fora do Morumbi, com faixas e cânticos contrários a Casares.

O processo instaurado demonstra uma crise política interna significativa no São Paulo Futebol Clube, marcada por apurações policiais, conflitos no Conselho Deliberativo e mobilização das torcidas pela saída do presidente.

Créditos: Gazeta Esportiva

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