Política
09:09

Cotados para vaga no STF adotam discrição para não pressionar Lula

Cinco dias após o anúncio da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF), os principais candidatos à vaga têm adotado uma postura discreta para não pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável pela indicação do substituto.

O advogado-geral da União Jorge Messias, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e o ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, mantêm suas agendas focadas em compromissos técnicos e institucionais, evitando evidências de articulação política.

Messias segue uma rotina jurídica na AGU, participando de encontros para defender políticas públicas e dialogar com órgãos do Judiciário, evitando especulações após uma tentativa frustrada anterior à vaga destinada a Flávio Dino.

Na noite anterior, Lula se reuniu no Palácio da Alvorada com ministros do STF e do Ministério da Justiça para discutir assuntos institucionais. Entre os presentes estavam Gilmar Mendes, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.

Messias foi convidado para um jantar em homenagem a Barroso, mas decidiu não comparecer. Após sua tentativa em 2023, ele agora mantém distância até mesmo de discussões internas sobre a candidatura, preocupado em não comprometer o presidente.

Em contraste com seu engajamento anterior, quando chegou a reunir-se com a Febraban e MST, Messias hoje seguiu uma trajetória mais reservada, focando em temas pessoais e espirituais nas redes sociais, incluindo mensagens relativas à Reforma Protestante e ao Dia das Crianças. O fator evangélico é considerado um diferencial na disputa, podendo ser um sinal de Lula ao segmento evangélico, que tende a apoiar posições bolsonaristas.

Rodrigo Pacheco, por sua vez, evita falar publicamente sobre a sucessão. Ele participou recentemente de uma agenda institucional com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o presidente do STF, Edson Fachin, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Pacheco já teria indicado a aliados que Messiask enfrentaria resistência no Senado, enquanto ele próprio atua para fortalecer sua candidatura.

Bruno Dantas esteve em Roma para evento da ONU sobre governança global e segurança alimentar, coincidindo com a visita de Lula à cidade, embora não tenham tido encontros privados.

Essa discrição entre os candidatos é interpretada como respeito ao tempo do presidente Lula, que tem afirmado que fará a escolha com base em critérios jurídicos e políticos, sem pressa ou antecipação de nomes.

A aposentadoria antecipada de Barroso provocou certo desconforto no Planalto. O ministro tentou contato telefônico com Lula, que não atendeu, em meio a um momento político delicado, com derrotas recentes no Congresso e a pressão para definição do novo nome.

Assim, embora a disputa esteja aberta, os cotados mantêm comportamento reservado para não gerar mais pressão sobre o presidente no processo de escolha do próximo ministro do STF.

Créditos: O Globo

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