Política
09:40

CPMI prende Rubens Oliveira por falso testemunho em depoimento sobre fraude no INSS

Rubens Oliveira Costa, apontado como responsável por sacar dinheiro desviado de aposentados e repassá-lo aos líderes de uma quadrilha, foi preso em flagrante por falso testemunho durante depoimento na CPMI do INSS na madrugada.

A prisão foi anunciada pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que listou motivos para a detenção e a condução de Costa para fora da sessão acompanhada por agentes da Polícia Legislativa.

Investigação indicou que Costa operava para Antônio Carlos Camilo, conhecido como Careca do INSS, atuando em empresas envolvidas no esquema fraudulento.

Costa admitiu ter repassado R$ 949 mil em espécie a Careca do INSS. Ele teve uma poupança de R$ 300 mil bloqueada por determinação judicial, devido a suspeitas sobre a origem dos recursos.

A possibilidade de prisão surgiu ao início do depoimento, quando Costa foi acusado pelo relator da CPMI, deputado Alberto Gaspar (União-AL), de apresentar versões contraditórias dos mesmos fatos.

Costa contava com um habeas corpus do STF que lhe permitia direito ao silêncio e o protegia de prisão caso optasse por não responder perguntas. Contudo, a CPMI entendeu que o crime de falso testemunho não está amparado por esse habeas corpus.

A prisão foi efetuada após a meia-noite, em sessão que já durava cerca de oito horas e era marcada por tensão. O relator classificou Rubens como um “laranja” que protege os superiores envolvidos no roubo contra aposentados e pensionistas.

Durante o depoimento, Rubens não respondeu perguntas básicas, como o local de sua residência.

Simultaneamente, o advogado Carlos Urquisa confrontava parlamentares, discutindo com o deputado Zé Trovão (PL-SC) e provocando reclamações no plenário.

Vários parlamentares insistiram na prisão do depoente, que já havia sido alvo de pedido de prisão preventiva da CPMI, negado pelo STF.

O senador Carlos Viana afirmou respeitar o direito ao silêncio, mas ressaltou que Rubens forneceu informações incorretas e mentiu em datas, demonstrando contradições, além de omitir a origem de doações que teria recebido para pagar advogado.

Segundo a CPMI, Rubens realizava saques milionários em agências bancárias de Brasília. Ele admitiu ter sacado dinheiro em banco pelo menos uma vez, sem suspeitar da origem duvidosa dos valores.

A CPMI apontou que Rubens representa empresas usadas para movimentar dinheiro desviado dos benefícios de aposentados e pensionistas.

Durante a sessão, Viana destacou que as respostas de Rubens sobre encontros e datas relacionados a outros envolvidos no esquema, conforme investigação da Polícia Federal, eram falsas.

Créditos: UOL Notícias

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