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12:09

Crise humanitária em Gaza persiste após acordo de cessar fogo

Famílias palestinas estão retornando à Faixa de Gaza, onde a devastação causada por mais de dois anos de ataques israelenses torna-se cada vez mais evidente.

Organizações internacionais alertam para a enorme necessidade de ajuda em diversos setores no território. Apesar do acordo para o fim da guerra, a crise humanitária permanece sem solução imediata, e o futuro político do processo continua incerto.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) tem reiterado a urgência de permitir acesso irrestrito a Gaza. Juliette Touma, diretora de comunicações da agência, destacou que é imprescindível abrir todas as passagens para garantir o fluxo de suprimentos humanitários e evitar o aumento da fome.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 170 mil toneladas de alimentos, medicamentos e outros itens de ajuda já estão disponíveis para entrega. No entanto, a burocracia e as restrições impostas por Israel dificultam a entrada e distribuição eficaz desses recursos.

Com o cessar dos ataques, está previsto o ingresso diário de cerca de 600 caminhões de ajuda, e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) planeja ampliar as entregas no início da próxima semana. Entretanto, isso depende da retirada das forças israelenses para ampliar as zonas seguras para assistência.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelou o risco de aumento significativo de mortes infantis devido à desnutrição e ao enfraquecimento do sistema imunológico. Estima-se que 50 mil crianças estejam em risco de desnutrição aguda e necessitem de tratamento urgente, com os bebês, especialmente os recém-nascidos, sendo os mais vulneráveis.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que quase 42 mil pessoas na Faixa de Gaza sofreram ferimentos que impactaram suas vidas, sendo um quarto delas crianças. Desde outubro de 2023, 167.376 pessoas ficaram feridas, incluindo mais de 5 mil que sofreram amputações.

Lesões graves em braços, pernas, medula espinhal, cérebro e queimaduras são comuns, elevando a demanda por serviços cirúrgicos e reabilitação especializada. O sistema de saúde local está à beira do colapso, com apenas 14 dos 36 hospitais parcialmente funcionando e menos de um terço dos serviços de reabilitação operacionais.

Além disso, a força de trabalho do setor foi fortemente afetada, com muitos profissionais deslocados e pelo menos 42 mortes desde setembro de 2024. A OMS reforça apelos por acesso irrestrito a combustível e suprimentos médicos essenciais, pedindo o fim das restrições para entrada desses itens.

Um dos pontos fundamentais do acordo para o cessar dos ataques, a liberação de prisioneiros do Hamas e de Israel, ainda não foi implementada. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que a soltura dos israelenses mantidos em Gaza está prevista para 13 de outubro.

Veículos de imprensa israelenses indicam que o transporte de presos palestinos para iniciar as trocas já começou, apesar de tensões permanecerem devido à recusa de Israel em libertar figuras políticas palestinas importantes. O Hamas declarou que continuará cumprindo os termos do acordo.

Outra questão delicada refere-se à exigência de desarmamento do Hamas. O grupo afirmou que não realizará o desarmamento completo, mas entregará seus equipamentos para autoridades militares palestinas quando forem definidas.

Fontes estadunidenses informaram que o desarmamento será supervisionado por forças do Egito, Catar e Turquia, enquanto os EUA acompanharão o processo à distância, sem enviar tropas para Gaza.

Créditos: Brasil de Fato

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