Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deixa prisão em Guarulhos com tornozeleira
O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi liberado do Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 em Guarulhos por volta das 11h40 do sábado, 29 de novembro de 2025, após uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A soltura também abrangeu mais quatro executivos da mesma instituição.
Os cinco investigados deverão utilizar tornozeleira eletrônica e atender a outras restrições durante o andamento das investigações relacionadas ao suposto esquema identificado pela operação Compliance Zero na semana anterior.
Vorcaro estava detido no CDP 2 desde a última segunda-feira (4), após ter sido transferido da superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde passou os primeiros dias de prisão.
A liberação do banqueiro foi confirmada pela TV Globo e pelo g1 junto à sua defesa. Imagens registram Vorcaro saindo da unidade prisional acompanhado de seus advogados, trajando boné e camiseta branca.
A decisão judicial que autorizou a libertação foi proferida na sexta-feira (28) pela desembargadora Solange Salgado da Silva, que também ordenou a soltura dos outros quatro executivos ligados ao banco. A equipe de reportagem continua tentando contato com as defesas desses outros investigados para confirmar suas condições atuais.
Segundo a decisão, apesar da gravidade dos fatos e do elevado montante financeiro envolvido, medidas alternativas à prisão são consideradas suficientes para proteger a sociedade, evitar reincidência, preservar a ordem econômica, garantir o andamento regular da persecução penal e impedir o risco de fuga.
Na sexta-feira, a defesa de Vorcaro recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) argumentando que a Justiça Federal responsável pela ordem de prisão não seria a instância competente para o caso. O relator do pedido é o ministro Dias Toffoli, sem previsão para julgamento.
No recurso, a defesa afirmou que não há evidências concretas que indiquem risco de obstrução à investigação por parte de Vorcaro. Além disso, ressaltou que o Banco Central já decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, eliminando qualquer possibilidade de atuação do empresário na instituição e revertendo a situação financeira.
A Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Vorcaro há dez dias, foi autorizada pelo juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília. Além de Vorcaro, outros seis executivos do banco são acusados de fraudes relacionadas a papéis negociados com o Banco de Brasília (BRB).
No dia 24 de novembro, Vorcaro foi transferido da cela da Polícia Federal em São Paulo para o CDP 2 em Guarulhos.
A investigação aponta que o banco vendia títulos de crédito falsificados, como CDBs, prometendo rentabilidade de até 40% acima da taxa básica do mercado, índice que era irreal.
A Polícia Federal calcula que o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. No momento da operação, o Banco Central publicou um comunicado oficial decretando a liquidação extrajudicial do Banco Master e determinando a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores da instituição.
O Conselho Monetário Nacional já havia adotado medidas para restringir as atividades do banco, visando coibir o modelo de negócios adotado.
Créditos: g1.globo