Defesa de Silvinei Vasques pede prisão em SC ou Papudinha por ameaças na Papuda
A defesa do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, preso ontem durante uma tentativa de fuga, solicitou que a prisão dele seja cumprida em Santa Catarina ou no prédio militar da Papuda, conhecido como “Papudinha”.
Silvinei saiu de Foz do Iguaçu nesta manhã com destino a Brasília, onde passará por audiência de custódia e posteriormente conhecerá o local de cumprimento da prisão. A previsão é que ele chegue à capital por volta de 12h30.
O advogado Anderson Rodrigues de Almeida enumera que o Complexo Penitenciário da Papuda não é local seguro para Silvinei. O pedido formal foi enviado ao ministro do STF Alexandre de Moraes, que ainda não proferiu decisão.
A defesa alega que, durante cerca de um ano em que Silvinei esteve preso preventivamente na Papuda, ele sofreu assédio e ameaças no ambiente carcerário, mesmo sob administração penitenciária.
Como alternativa, a custódia em Santa Catarina é defendida como mais apropriada, já que o ex-diretor possui vínculos familiares, sociais e profissionais nos municípios de São José e Florianópolis, que ajudariam a preservar sua integridade física e psicológica.
Além disso, manter a prisão em local alinhado aos vínculos do preso atenderia à administração da Justiça, evitando deslocamentos interestaduais frequentes, escoltas complexas e riscos desnecessários no transporte.
Como segunda opção, caso seja imprescindível manter Silvinei em Brasília, a defesa sugere a custódia na unidade especial para militares conhecida como Papudinha. O advogado ressalta que ex-agentes de segurança pública e militares correm maior risco em prisões comuns.
Silvinei foi preso após fugirem sinais da tornozeleira eletrônica na madrugada de Natal. A Polícia Federal acionou o ministro Moraes, que decretou prisão preventiva.
Posteriormente, o ex-diretor foi detido no Paraguai com documentos falsos, ao tentar embarcar para El Salvador. As autoridades paraguaias confirmaram sua identidade com a Polícia Federal brasileira.
Mesmo condenado a 24 anos e seis meses pelo STF por participação em uma trama golpista, Silvinei ainda não cumpre a pena em regime fechado devido a prazos processuais em aberto.
Ele é o terceiro condenado da trama golpista a tentar fuga. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso após romper a tornozeleira eletrônica, e o deputado Alexandre Ramagem é considerado foragido após viajar aos Estados Unidos sem tornozeleira.
Silvinei foi condenado por ter ordenado ilegalmente blitze para dificultar o trânsito de eleitores no segundo turno das eleições de 2022.
O advogado Eduardo Pedro Nostrani Simão nega que o ex-diretor tenha atuado para impedir o deslocamento de eleitores de Lula e afirma que ele foi alvo de uma “tempestade midiática” e fake news.
Silvinei esteve preso na Papuda por um ano, sendo liberado ao cumprir medidas cautelares como uso de tornozeleira, suspensão do porte de armas, proibição de sair do país e uso de redes sociais.
No início de 2024, assumiu cargo na Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação em São José, Santa Catarina, mas deixou o cargo após a condenação.
Créditos: UOL