Internacional
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Delcy Rodríguez assume governo interino da Venezuela sob intensa pressão

Delcy Rodríguez iniciou oficialmente seu governo interino na Venezuela na terça-feira, 6, enfrentando pressões para atender às demandas energéticas dos Estados Unidos e reorganizar o chavismo na ausência de Nicolás Maduro.

Rodríguez, de 56 anos, foi empossada pelo Parlamento na segunda-feira, quase simultaneamente ao momento em que Maduro declarou-se inocente em Nova York perante um juiz em processo que inclui acusações de narcotráfico.

Maduro foi capturado junto com sua esposa, Cilia Flores, no sábado, durante uma operação dos Estados Unidos em Caracas e outras regiões. Flores responde às mesmas acusações em julgamento.

As Nações Unidas manifestaram profunda preocupação com a ação ordenada por Donald Trump, que resultou em dezenas de mortes e violou um princípio fundamental do direito internacional.

Em seu discurso de posse, Delcy Rodríguez lamentou o sequestro de Maduro e Flores, referindo-se a eles como heroicos mantidos reféns nos Estados Unidos. Ela é vice-presidente de Maduro desde 2018 e primeira na linha de sucessão.

O chavismo convocou manifestações para exigir a libertação de Maduro, que se declarou um “prisioneiro de guerra” durante sua apresentação judicial, afirmando ser um homem decente e o legítimo presidente da Venezuela.

Na terça-feira, a Organização dos Estados Americanos (OEA) realizou um Conselho Permanente extraordinário em Washington para discutir as divisões entre governos de direita e esquerda da América Latina provocadas pela situação venezuelana.

Após a posse, Rodríguez visitou o túmulo de Hugo Chávez, fundador da Revolução Bolivariana. Ela enfrenta o desafio de aplacar qualquer dissidência interna e atender às exigências de Trump, que afirmou controlar o país.

Trump alertou Rodríguez que se ela não agir corretamente pagará um preço maior que o de Maduro.

Figuras importantes como los ministros Diosdado Cabello e Vladimir Padrino permanecem em seus cargos no governo.

O ex-diplomata americano Brian Naranjo afirmou que Rodríguez deve estar alerta devido à possível ambição de Cabello e Padrino de assumir o poder.

O analista Marino de Alba qualificou o novo governo como instável, destacando que o chavismo busca uma aparente coesão para manter-se no poder e ganhar tempo para sua reorganização, especialmente considerando as demandas de Washington relacionadas ao petróleo.

Rodríguez enviou a Trump uma carta defendendo uma relação equilibrada e de respeito.

Na Bolsa de Nova York, houve valorização na segunda-feira, atribuída, segundo alguns analistas, ao desempenho de empresas do setor energético.

Um general aposentado declarou acreditar que Rodríguez abrirá o país para empresas petrolíferas e mineradoras americanas, além de possivelmente retomar as relações diplomáticas rompidas em 2019, enquanto promove uma agenda política eleitoral, incluindo a liberação de presos políticos.

O analista Alba previu que a repressão continuará central para garantir a permanência do chavismo, embora possa haver libertações parciais visando abrir canais de negociação.

A oposição não reconhece a reeleição de Maduro prevista para 2024 e quer que Edmundo González Urrutia assuma o poder com María Corina Machado.

Machado afirma que venceria eleições livres e justas com ampla maioria e planeja retornar ao país após receber o Nobel da Paz em Oslo.

Trump declarou que Machado não tem apoio nem respeito suficientes na Venezuela para governar, qualificando-a como uma mulher gentil, mas que não inspira respeito.

O mandato interino de Rodríguez tem duração de até 180 dias, após o que novas eleições deverão ser convocadas.

Créditos: CartaCapital

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