Política
03:03

Depoimento de Vorcaro à PF detalha crise no Banco Master e encontros com Ibaneis

Em depoimento à Polícia Federal no final de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro abordou a crise que resultou na liquidação do Banco Master em novembro e revelou encontros mantidos com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Vorcaro disse que discutir a venda do banco ao Banco de Brasília (BRB) esteve entre os assuntos dessas reuniões.

Ibaneis confirmou ter se reunido com Vorcaro, porém negou que tenham tratado da venda do Master ao BRB, afirmando: “Entrei mudo e saí calado”. A negociação foi barrada pelo Banco Central em setembro.

A transcrição do depoimento, obtida com auxílio de inteligência artificial, evidencia a proximidade do banqueiro com autoridades do poder e a utilização do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como base para os negócios do Master.

O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Master por insuficiência de liquidez e indícios de fraudes envolvidas na operação de carteiras de crédito com o BRB, que totalizou aproximadamente R$ 12,2 bilhões.

Segundo o depoimento, a instituição enfrentava falta de recursos e empregava o respaldo do FGC para fechar negócios. Vorcaro reconheceu que o banco vivia uma crise de liquidez, caracterizada pela incapacidade de honrar compromissos e dívidas.

Apesar dos problemas, ele afirmou que todos os pagamentos foram realizados até 17 de novembro, data anterior em um dia à liquidação decretada pelo Banco Central. Segundo ele, as dificuldades foram motivadas por alterações nas regras do FGC, que não detalhou, e sugeriu pressão de outros bancos contra o Master.

O banco usava o FGC como “modelo de negócio”, alegando não haver irregularidades, pois isso seguia as regras vigentes. Com as mudanças regulatórias, precisou buscar novas fontes no mercado financeiro, e passou a sofrer uma campanha para prejudicar sua imagem.

Vorcaro confirmou diversos encontros com Ibaneis Rocha entre 2024 e 2025, em residências tanto do banqueiro quanto do governador, onde discutiram a proposta de venda do Banco Master para o BRB, que é controlado pelo governo local. Ibaneis, entretanto, negou tratar do assunto nesses encontros.

Ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir parte do Master em operação apoiada pelo governo do Distrito Federal, controlador do banco público, mas o Banco Central rejeitou a transação. O BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025, e o Ministério Público identificou indícios de gestão fraudulenta nessas operações. Mais de R$ 12 bilhões foram utilizados para adquirir carteiras de crédito da Tirreno, que não pertenciam ao banco e se mostraram sem lastro.

No depoimento, Vorcaro afirmou não lembrar nomes de políticos, ministros, parlamentares ou secretários que frequentavam sua casa, e indicou que, se tivesse tantas relações políticas como dizem, não estaria em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Ele também disse que o Banco Central acompanhou toda a negociação da venda ao BRB e negou ter recebido ajuda política.

Com relação à sua prisão em 17 de novembro no Aeroporto de Guarulhos, Vorcaro afirmou que foi surpreendido, negou estar fugindo e que informou ao Banco Central sobre sua viagem. Disse ter ido recentemente a Dubai para discutir venda do Master ao grupo Fictor, com investidores dos Emirados Árabes. Ele afirmou que nunca imaginou ser preso e ficou 12 dias detido antes de ser colocado em prisão domiciliar.

Na acareação com Paulo Henrique Bezerra, ex-presidente do BRB, no mesmo dia do depoimento, Vorcaro declarou que o Master não desembolsou reais para comprar a carteira de créditos da Tirreno, avaliada em R$ 6 bilhões. Apontou que o montante ficou em uma conta reserva como registro contábil, sem saída efetiva de dinheiro, e negou o pagamento após insistentemente questionado.

Vorcaro reafirmou que o banco lidava com crise de liquidez até 17 de novembro, com agravamento após a liquidação decretada no dia seguinte.

O presidente do BRB admitiu saber que o dinheiro da Tirreno não existia fisicamente e que podia ocasionar a falência conjunta da Tirreno e do Banco Master, indicando que a operação permaneceu para evitar a falência, mesmo com conhecimento das dificuldades financeiras.

O Banco Central ordenou que o BRB reserve R$ 3 bilhões para assegurar suas operações. O caso Master está previsto para retornar à primeira instância após o Carnaval.

O Fundo Garantidor de Créditos é um mecanismo mantido pelos bancos para proteger clientes em casos de intervenção ou quebra bancária, tendo atuado em mais de 40 casos em 30 anos. O pagamento aos investidores do Master será o maior da história do FGC, chegando a R$ 41 bilhões, destinado a clientes com aplicações de até R$ 250 mil.

Créditos: G1

Notícias relacionadas

Política
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Ler +
Política
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Ler +
Modo Noturno