Depoimento do Careca do INSS na CPMI é marcado por conflito entre advogado e deputados
O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, teve seu depoimento à CPMI que investiga descontos irregulares em aposentadorias iniciado com tumulto na manhã desta quinta-feira.
A tensão começou após o deputado Alberto Gaspar (União-AL), relator da comissão, afirmar que Careca do INSS é o “autor do maior roubo aos aposentados e pensionistas do Brasil”. Em resposta, o advogado de Antunes, Cleber Lopes, rebateu em tom exaltado, pedindo a palavra que foi negada.
O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) também se envolveu na discussão, levantando-se e dirigindo-se ao advogado com o dedo em riste, exigindo respeito ao Parlamento. A situação precisou da intervenção da Polícia Legislativa para acalmar os ânimos, e a sessão foi suspensa por cerca de cinco minutos pelo deputado federal Duarte Jr. (PSB-MA), que presidia a reunião.
Após a retomada da sessão, as tensões persistiram e o advogado ameaçou encerrar o depoimento. Gaspar reafirmou as acusações contra Camilo, irritando ainda mais a defesa. O advogado e o empresário chegaram a se levantar, mas o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), alertou que o empresário não poderia se retirar sem autorização.
Antes do início do depoimento, Antônio Camilo contestou o relator, alegando que Gaspar foi desrespeitoso, o que prejudicaria a imparcialidade do processo. Contudo, o deputado seguiu com suas perguntas, adotando um tom firme.
Gaspar acusou o empresário de se beneficiar com a miséria dos aposentados, citando bens como Porsches, jatinhos e fazendas adquiridos supostamente com dinheiro desviado. Também advertiu que Camilo enfrentará o sistema prisional, onde terá que lidar com pessoas afetadas pelos seus atos.
No começo da comissão, Antônio Camilo rejeitou o apelido Careca do INSS e disse se considerar “um empreendedor nato”, afirmando que o personagem criado em torno de sua figura é fictício. Questionado sobre seus rendimentos e as 22 empresas que administra, garantiu que todas as receitas são lícitas e declaradas à Receita Federal.
O empresário negou ligações com governos ou senadores, mas admitiu um encontro com o senador Weverton Rocha (PDT-MA), explicando que trataram sobre a liberação de medicamentos à base de cannabis. Disse que a aproximação teve como objetivo entender o processo legal da cannabis no país.
Antônio Camilo está preso desde 12 de setembro, resultado de operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro do STF André Mendonça. Na semana anterior, ele havia recusado-se a prestar depoimento à CPMI.
É apontado como um dos principais envolvidos no esquema de descontos ilegais e teria acumulado patrimônio milionário por meio das irregularidades investigadas.
Após a recusa inicial em comparecer, a CPMI convocou familiares do empresário, incluindo seu filho e esposa, que são peças consideradas chave no caso.
O caso segue em apuração pela CPMI no Senado, que busca elucidar desvios e irregularidades no INSS envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Créditos: UOL