Deputada do PT relata tortura durante prisão em Israel após intervenção em flotilha
A deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) relatou ter sofrido tortura enquanto esteve presa em Israel, junto com outros brasileiros.
De acordo com a deputada, o exército israelense atacou o entorno da embarcação em que estavam. “Ficamos por mais de uma hora em posição ajoelhada, com a cabeça no chão, esperando os outros barcos”, relatou, mostrando machucados nos joelhos provocados pela posição forçada.
“Essa situação configura tortura”, afirmou Luizianne, ressaltando que, se eles sofreram tal tratamento com o mundo observando, é possível imaginar o que os palestinos enfrentam diariamente nas prisões.
A parlamentar contou que o grupo precisou segurar os passaportes nas mãos e que, ao tentar ver seus companheiros, ouviu gritos.
Durante a prisão, ouviu gritos de mulheres que, segundo ela, tiveram cabelos puxados por soldados do exército israelense. Apesar de não ter sido agredida fisicamente, ressaltou haver muita tortura psicológica.
Uma integrante da flotilha permanece presa em uma solitária em Israel. Essa mulher foi presa após morder a perna de um soldado enquanto era arrastada pelo cabelo.
Comentou que a privação de sono era uma tática usada: “Ninguém dormia, pois a todo momento batiam na cela para contar o número de presas, causando barulho constante durante a noite.”
As celas estavam superlotadas, abrigando 20 mulheres onde caberiam cinco, e não havia água potável, obrigando-as a beber água do banheiro. Um preso diabético brasileiro ficou três dias sem seu medicamento.
O grupo de 13 brasileiros, incluindo Luizianne, chegou ao Brasil após serem detidos em Israel enquanto participavam da flotilha que levava ajuda humanitária a Gaza.
Eles desembarcaram no aeroporto de Guarulhos, São Paulo, e foram recebidos por militantes e políticos, como Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Monica Seixas (PSOL). Parte usava a roupa cinza da prisão e lenços palestinos, além de segurarem bandeiras e camisetas “Free Palestina”.
A reportagem procurou a Embaixada de Israel para comentar as denúncias, aguardando manifestação.
Créditos: UOL Notícias