Política
13:03

Deputados manifestam arrependimento após votação da PEC da Blindagem

Deputados federais de partidos tanto da base quanto da oposição ao governo expressaram arrependimento nas redes sociais após a aprovação da chamada PEC da Blindagem. A proposta de emenda à Constituição, que dificulta a abertura de processos criminais e prisões contra parlamentares, foi aprovada na Câmara esta semana com 344 votos a favor e 133 contra.

Entre os congressistas arrependidos estão parte dos aproximadamente dez deputados da bancada do PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que votaram a favor do texto.

Também há deputados de partidos que planejam se desligar do governo Lula, como União Brasil e PP. Os parlamentares justificam seu voto por pressões e articulações internas na política.

O projeto, que agora segue para o Senado, recebeu críticas nas redes sociais e foi apelidado de “PEC da Bandidagem”.

A proposta permite, entre outras medidas, estender o foro privilegiado a presidentes nacionais de partidos e impede que o STF autorize investigações sem o aval do Congresso.

O deputado Pedro Campos (PSB-PE), líder do partido na Câmara e irmão do prefeito do Recife, João Campos, admitiu o erro em vídeo. Ele afirmou que votou a favor, acompanhando a maioria da bancada, para evitar que uma anistia fosse aprovada – o que acabou acontecendo após a aprovação do requerimento de urgência pela Câmara um dia depois – e para destravar projetos importantes do governo.

“Nós do campo progressista tínhamos duas opções: recusar qualquer discussão sobre a PEC e arriscar a aprovação da anistia e o boicote a pautas importantes como tarifa social de energia e Imposto de Renda, ou discutir a PEC, tentar retirar os maiores excessos e buscar uma forma de barrar a anistia e avançar pautas populares”, explicou Pedro Campos.

Ele também ingressou no STF com pedido para anular os votos da PEC da Blindagem, alegando que houve uma manobra para aprovar o voto secreto, que foi restaurado depois como emenda para as votações relativas à investigação de deputados e senadores.

Em uma nota no Instagram, o petista Merlong Solano (PT-PI) pediu desculpas ao povo do Piauí e ao partido pelo voto, explicando que foi uma decisão difícil e feita para preservar o diálogo entre o PT e a presidência da Câmara, conduzida por Hugo Motta (Republicanos-PB).

A deputada Silvye Alves (União-GO) também se retratou e anunciou a desfiliação do partido. Ela relatou ter recebido ameaças de pessoas influentes do Congresso para votar a favor do projeto. Inicialmente, votou contra, mas, após receber pressões, mudou seu voto por medo de retaliações.

Thiago de Joaldo (PP-SE) afirmou que a Câmara errou e que trabalhará para que o Senado não aprove o texto. Ele reconheceu falhas, pediu desculpas e disse que o remédio adotado pode ser pior que o problema que a PEC pretendia resolver.

Créditos: CNN Brasil

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