Política
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Desafio fiscal do RN: gastos aumentam e caixa negativo persiste

Desafio fiscal do RN: gastos aumentam e caixa negativo persiste

Toda eleição traz promessas, algumas viáveis, outras condicionadas a fatores raramente explicados aos eleitores. No Rio Grande do Norte, a campanha já em andamento repete um erro histórico da política brasileira: discutir o que fazer sem explicar como pagar.

Levantamentos recentes indicam que as despesas dos estados brasileiros aumentaram mais rápido que suas receitas durante o ano eleitoral. Esse comportamento é comum, pois governos ampliam gastos, aceleram obras, criam programas e deixam para os sucessores o desafio de equilibrar as contas.

No Rio Grande do Norte, a situação é mais grave. Enquanto alguns estados chegam a 2026 com reservas financeiras sólidas e baixo endividamento, o RN sofre há anos com fragilidade fiscal e baixa disponibilidade de caixa. Mesmo assim, o estado aumentou suas despesas em 17,7%, frente a um crescimento de receita de apenas 5,3%.

Entre 2023 e 2024, a dívida estadual subiu de 27,5% para 41,5%, e o caixa fechou 2025 próximo de R$ 3 bilhões de saldo negativo, com déficit primário crescente.

Dados do Tesouro Nacional mostram que os investimentos liquidados pelo RN tiveram alta de 575,5% nos quatro primeiros meses de 2026 em comparação ao ano anterior, maior avanço proporcional do país, viabilizado principalmente por operações de crédito, conforme reconhecido pelo governo.

Investimentos públicos são essenciais para o desenvolvimento, como obras de infraestrutura, recuperação de estradas, hospitais, escolas e sistemas de abastecimento. O problema é que investimentos financiados em situação fiscal frágil podem comprometer a gestão do próximo governo e o futuro do estado.

Curiosamente, esse tema quase não aparece no debate político. Embora candidatos critiquem legados e prometam mudanças, não é comum perguntar qual será o estado das finanças públicas em janeiro de 2027, nem exigir dos pré-candidatos um diagnóstico e plano claro para recuperar a saúde fiscal.

A crise fiscal do RN foi construída por decisões gradativas que, embora pequenas individualmente, acumulam efeitos ao longo dos anos. Quando a conta chega, os governos enfrentam a necessidade de cortar investimentos, adiar projetos, aumentar impostos ou aderir a programas federais de renegociação de dívidas.

O Rio Grande do Norte precisa discutir seu futuro financeiro antes que a campanha transforme toda atenção em promessas imediatistas. Além de escolher quem governará, é fundamental saber como será a gestão do estado.

A saúde das contas públicas interessa não só ao governo, mas também a quem produz, investe e gera empregos. Um ambiente fiscal equilibrado é essencial para a livre iniciativa e o desenvolvimento econômico sustentável, ao contrário do que ocorre em estados financeiramente frágeis, que oferecem instabilidade, menor capacidade de investir em infraestrutura, dificuldades na manutenção dos serviços e pressionam continuamente por aumento de receitas.

Essa discussão, fundamental, está ausente na eleição que se aproxima.

Créditos: Tribuna do Norte

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