Drones sobrevoam Palácio de Miraflores em Caracas e governo reage com tiros
Drones não identificados sobrevoaram a sede do governo da Venezuela, o Palácio de Miraflores, localizado no centro de Caracas, na noite de segunda-feira, 5 de janeiro.
Segundo fonte ouvida pela agência AFP, as forças de segurança venezuelanas atiraram contra os drones na tentativa de derrubá-los. Os disparos começaram por volta das 20h no horário local, equivalente a 21h em Brasília. Uma fonte do governo, também citada pela AFP, afirmou que a situação já estava sob controle.
Nenhuma autoridade venezuelana se pronunciou oficialmente sobre o episódio até o momento. Não foi divulgada informação sobre a origem dos drones, e a Casa Branca, conforme reportado pela imprensa americana, negou envolvimento no incidente.
Nas redes sociais, vídeos divulgados por usuários mostram vários disparos. Um residente a cinco quarteirões do Palácio relatou à AFP que parecia se tratar de explosões seguidas, e ao verificar, não havia aviões sobrevoando a área.
Este evento ocorreu dois dias após uma operação dos Estados Unidos na capital venezuelana que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro. No dia 3 de janeiro, Caracas sofreu várias explosões.
Nos dias seguintes, o governo dos EUA afirmou que não realizaria novos ataques contra a Venezuela, desde que as autoridades locais continuem colaborando.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em entrevista à NBC News que não está em guerra com a Venezuela e que a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, está cooperando com o governo americano, mantendo contato por meio do secretário de Estado Marco Rubio.
Trump disse ainda que pode autorizar uma nova operação militar caso Delcy modifique sua postura.
Com a deposição de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu a liderança da Venezuela. Ela era vice-presidente até então e foi nomeada presidente interina pelo Tribunal Supremo de Justiça, tomando posse na segunda-feira, 5 de janeiro.
No domingo, 4 de janeiro, as Forças Armadas venezuelanas reconheceram Delcy como presidente interina. Em pronunciamento nacional, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, apoiou a decisão e afirmou que ela permanecerá no cargo por 90 dias.
Nicolás Maduro foi capturado pelas forças americanas na madrugada de sábado, dia 3, e levado aos Estados Unidos onde enfrentará julgamentos por diversos crimes, incluindo tráfico internacional de drogas.
No mesmo dia da posse de Delcy, Maduro compareceu a uma audiência em Nova York, onde declarou-se inocente diante de um juiz federal. Também na segunda-feira, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu para discutir o ataque americano na Venezuela.
O governo venezuelano ordenou a busca e captura, em âmbito nacional, de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos.
O governo americano acusa Maduro de liderar o Cartel de los Soles, grupo acusado de tráfico de drogas da América do Sul para os EUA e de tentar desestabilizar os EUA.
A Casa Branca classificou organizações de tráfico de drogas como terroristas e direcionou seu aparato militar contra essas organizações, incluindo o Cartel de los Soles.
Especialistas contestam essas conclusões, afirmando que o Cartel de los Soles não possui hierarquia clara e funciona como uma rede formada por integrantes militares e políticos venezuelanos. Eles dizem que Maduro não seria o chefe, embora haja indícios de seu benefício em uma governança criminal híbrida consolidada no país.
Créditos: g1