Política
06:02

Eduardo Bolsonaro acumula derrotas após aproximação entre Lula e Trump

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sofreu uma série de derrotas após a aproximação política entre os presidentes Lula (PT) e Donald Trump nos Estados Unidos.

O revés mais significativo para Eduardo foi a queda da Lei Magnitsky aplicada contra o ministro Alexandre de Moraes. Em 12 de dezembro, os EUA retiraram Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, da lista de sanções financeiras e territoriais que estavam em vigor desde 30 de julho.

A Lei Magnitsky era a principal bandeira de Eduardo desde que chegou aos EUA, em fevereiro. Ele e Paulo Figueiredo defendiam a aplicação dessa lei para pressionar Moraes, que é relator do processo contra Jair Bolsonaro (PL) relacionado à trama golpista. Ambos participaram de reuniões com autoridades americanas para articular em favor dessas sanções.

Eduardo lamentou o fim da sanção contra Moraes, afirmando que a sociedade brasileira não conseguiu montar uma unidade política para resolver seus problemas estruturais no momento oportuno.

Outra derrota importante para Eduardo foi a queda do aumento tarifário imposto sobre produtos brasileiros em julho, quando a tarifa de 50% foi aplicada. Na época, ele afirmou que o cenário não era o desejado, mas era a única esperança. Também declarou que não poderia criticar Donald Trump, mas lamentou que o povo brasileiro pagasse o custo.

Essa sequência de derrotas coincide com a aproximação entre Lula e Trump, que se encontraram pela primeira vez em 23 de setembro na Assembleia da ONU em Nova York. Trump declarou então que gostou de Lula e que tiveram “uma ótima química”.

Após essa reunião, as negociações avançaram com contatos telefônicos entre Lula e Trump em 6 de outubro, seguidos de conversas envolvendo o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, que culminaram em encontros presenciais em outubro e novembro.

O vice-presidente Fernando Haddad e o ministro da Fazenda, Geraldo Alckmin (PSB), também participaram das negociações entre os governos e empresários americanos.

O empresário Joesley Batista, da JBS, esteve na Casa Branca em setembro para pedir a revogação da tarifa sobre carne brasileira, enquanto Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo perderam influência na Casa Branca.

Em 20 de novembro, os EUA removeram a maioria das tarifas, mencionando nos anúncios os diálogos entre Lula e Trump, e as reuniões entre os ministros brasileiros e americanos.

No contexto dessa aproximação, Eduardo virou réu no Supremo Tribunal Federal (STF). A Primeira Turma aceitou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra ele por coação à Justiça, em 14 de novembro, evidenciando que articulou sanções contra o Brasil para beneficiar seu pai.

Além disso, a anistia proposta por Eduardo para solucionar as sanções não avançou. A Câmara dos Deputados aprovou o PL da Dosimetria, que reduz as penas contra o ex-presidente e outros envolvidos na trama golpista.

Eduardo Bolsonaro também enfrenta risco de cassação de mandato. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), notificou-o sobre processo de cassação devido ao excesso de faltas.

Créditos: UOL Notícias

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