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Enel culpa gestão municipal pelo apagão em São Paulo, diz advogado

A Enel intensificou suas críticas ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), após o apagão que deixou mais de 1,3 milhão de moradores sem luz desde a quarta-feira (10). O prefeito solicitou intervenção federal na empresa, acusando-a de falsear o número de equipes operando na cidade.

Em entrevista à coluna, advogados da concessionária afirmaram que a crise resulta de falhas na gestão municipal, principalmente na manutenção e poda de árvores.

“O prefeito age como o marido traído que culpa o sofá. Ele deve assumir sua responsabilidade e reconhecer que o caos foi causado pela falta de poda das árvores”, afirmou Henrique Ávila, sócio do Bermudes Advogados e representante da Enel.

Outro advogado da companhia, Vitor Alves de Brito, declarou que a Enel opera com “reforço máximo”, mobilizando “mais de 1.600 equipes operacionais próprias e terceirizadas, atuando ininterruptamente e priorizando serviços essenciais”.

Segundo Brito, o problema está na administração da arborização da cidade, que é de responsabilidade exclusiva do prefeito. Ele destacou que as centenas de árvores derrubadas pelos ventos fortes atingiram postes na rua oposta, bloquearam vias e dificultaram o acesso de socorristas e eletricistas, evidenciando a omissão da prefeitura no ordenamento urbano.

Brito também mencionou que a Enel está sob rigorosa fiscalização da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e do Tribunal de Contas da União (TCU), e que em setembro a Aneel confirmou que a empresa cumpriu todos os indicadores estabelecidos.

Essas declarações ampliam o conflito entre a Enel e o prefeito. Na quinta-feira (11), Ricardo Nunes afirmou ser necessária uma intervenção federal na empresa e contestou o número de 1.600 equipes em campo, alegando que o sistema de câmeras SmartSampa registrou apenas 40 veículos da Enel circulando pela cidade.

O prefeito também relatou a existência de 48 árvores caídas há mais de 70 horas, aguardando o desligamento da rede elétrica pela Enel para que a remoção seja feita com segurança. “Se houvesse realmente mais de mil equipes mobilizadas, o serviço já teria sido restabelecido”, disse.

Nunes defendeu ainda que o governo Lula inicie o processo de caducidade da concessão da empresa, que vence em 2028. A Enel, por sua vez, deseja renovar o contrato por mais 30 anos. Governo federal e prefeitura se opõem à prorrogação, apontando falhas frequentes e demora na retomada do fornecimento após eventos climáticos extremos.

Em nota pública, a Enel informou ter restabelecido energia para 1,8 milhão de clientes, de um total de 2,2 milhões afetados pelo ciclone extratropical. A empresa reafirmou a mobilização de cerca de 1.600 equipes e atribuiu os danos severos à rede às rajadas de vento que atingiram até 98 km/h, classificando-os como casos de “alta complexidade” sem prazo definido para resolução.

Créditos: Folha de S.Paulo

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