Internacional
00:05

Enfermeiro americano Alex Pretti morto por agentes federais em Minneapolis

Alex Jeffrey Pretti, um enfermeiro americano de 37 anos que atuava em unidades de terapia intensiva no hospital do Departamento de Veteranos de Minneapolis, foi morto por agentes federais de Imigração neste sábado, 24. Familiares relataram que Pretti tinha grande preocupação com as pessoas e estava profundamente incomodado com a repressão à imigração promovida pelo governo do presidente Donald Trump na cidade.

O incidente ocorreu menos de três semanas após o assassinato de Renee Good, também cidadã americana, baleada por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) durante uma operação contra imigrantes irregulares a pouco mais de 1,5 km do local onde Pretti foi morto.

Segundo a porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS), Tricia McLaughlin, os agentes federais dispararam tiros defensivos diante da aproximação de um homem armado com uma pistola que resistiu com violência quando tentaram desarmá-lo. O chefe de polícia considerou que o homem era um proprietário legal de porte de arma.

Vídeos de testemunhas mostram Pretti com um telefone na mão, sem que uma arma seja visivelmente percebida. A família confirmou que ele possuía uma pistola e porte de arma oculto em Minnesota, embora nunca o tivesse visto carregando a arma nas ruas.

Pretti era um entusiasta de atividades ao ar livre e tinha um cão da raça Catahoula Leopard chamado Joule, falecido recentemente. Ele havia participado de protestos contra a repressão do ICE após a morte de Renee Good. Seu pai, Michael Pretti, afirmou que o filho se importava profundamente com a situação e reprovava a política do governo, especialmente práticas como o sequestro de crianças e prisões arbitrárias.

Nascido em Illinois, Pretti não tinha antecedentes criminais, assim como Good, e raramente teve contatos com autoridades além de multas de trânsito. Seus pais, que moram no Colorado, haviam orientado Alex a tomar cuidado ao participar dos protestos.

O DHS declarou que Pretti foi atingido após se aproximar dos agentes da Patrulha de Fronteira com uma pistola semiautomática 9 mm, resistindo violentamente à tentativa de desarmá-lo. Paramedicos prestaram atendimento imediato, mas ele foi declarado morto no local.

A família enfrentou dificuldades para obter informações oficiais sobre o ocorrido e confirmou com o Médico Legista do Condado de Hennepin a identificação do corpo.

Alex Pretti cresceu em Green Bay, Wisconsin, onde praticava esportes e participou do Coral de Meninos. Graduou-se em biologia pela Universidade de Minnesota em 2011 e trabalhou como cientista antes de se tornar enfermeiro registrado.

Rachel N. Canoun, ex-esposa de Pretti, mencionou que ele era eleitor democrata e que já havia participado de protestos anteriores relacionados a questões sociais. Ela afirmou que ele obteve a permissão para portar arma oculta cerca de três anos atrás.

Vizinhos descrevem Pretti como uma pessoa tranquila e de bom coração, disposto a ajudar os outros. Embora soubessem que ele possuía armas para prática em campo de tiro, estranhavam que ele andasse armado pelas ruas.

Ele gostava de cuidar do seu automóvel Audi e tinha forte ligação com a natureza e com seu cachorro. Sua mãe ressaltou que ele se preocupava com os retrocessos ambientais ocorridos sob a administração Trump.

O presidente Donald Trump defendeu a operação dos agentes da ICE afirmando que foram presos milhares de criminosos estrangeiros ilegais violento em Minnesota.

O governador de Minnesota, Tim Walz, condenou o evento como “mais um ataque a tiros horrível” e exigiu que o estado conduza a investigação, afirmando que não confia no governo federal para liderá-la.

O prefeito de Minneapolis pediu o fim das operações federais anti-imigração na cidade, ao passo que Trump acusou o prefeito e o governador de incitarem insurreição.

Protestos continuam na região após uma série de eventos envolvendo agentes do ICE, com acusações de uso excessivo da força e tensões entre autoridades locais e federais. O caso de Pretti voltou a acirrar o clima político e social em Minnesota.

Créditos: Estadão

Modo Noturno