Internacional
06:10

Espanha recusa integração ao Conselho da Paz criado por Trump

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez (PSOE, esquerda), anunciou na quinta-feira (22.jan.2026) que seu país não fará parte do Conselho da Paz, uma iniciativa criada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). Sánchez justificou a decisão com base no compromisso espanhol com o multilateralismo e o sistema da ONU (Organização das Nações Unidas).

“Agradecemos o convite, mas declinamos”, afirmou Sánchez a jornalistas após a cúpula da União Europeia em Bruxelas, conforme informado pelo jornal El País.

O premiê explicou que a recusa é uma questão de coerência e expressou dúvidas sobre se o Conselho da Paz respeitaria a ordem multilateral e as normas das Nações Unidas.

Ele também destacou que o convite não incluiu a Autoridade Palestina, o que ele considera contraditório, já que o Conselho tem como missão primordial pacificar a Faixa de Gaza, mas não convidou o governo liderado por Mahmud Abbas.

Oficialmente lançado por Trump na quinta-feira, o Conselho da Paz contou com convites a dezenas de líderes globais. Inicialmente aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU em novembro, sua atuação era limitada ao conflito na Faixa de Gaza.

No entanto, nas últimas semanas, ficou evidente que o escopo do Conselho vai além de Gaza, pretendendo atuar como uma polícia global e envolver-se em diversos conflitos, ofuscando o papel da própria ONU. Até o emblema do Conselho foi comparado ao das Nações Unidas.

Segundo informações de Washington, o Conselho terá atribuições como intermediar e monitorar cessar-fogos, organizar arranjos de segurança e coordenar a reconstrução pós-conflito.

A cerimônia de lançamento em Davos foi notável pela ausência de importantes aliados dos EUA, como Canadá, Reino Unido e a maior parte dos países da UE; apenas Hungria e Bulgária representaram o bloco europeu.

Trump retirou o convite ao Canadá após discurso do primeiro-ministro Mark Carney, que classificou a integração econômica usada por grandes potências como “arma” e alertou que acordos bilaterais colocam potências médias, como o Canadá, em desvantagem.

Até o momento, países que já rejeitaram participar do Conselho da Paz são Canadá, Eslovênia, Espanha, França, Noruega e Suécia.

Anunciado em 15 de janeiro de 2026, Trump indicou que o Conselho da Paz não será temporário, chegando a afirmar no dia 20 que o órgão poderia substituir a ONU.

Trump detém o poder de veto exclusivo no Conselho, com prerrogativas sobre decisões do Conselho Executivo e a possibilidade de expulsar membros, embora essa última ação precise da maioria de 2/3 dos integrantes para ser mantida.

Não há prazo definido para o fim do mandato de Trump como presidente do Conselho, que pode indicar um sucessor ou permanecer até renunciar voluntariamente ou ser removido por unanimidade dos membros em casos de incapacidade.

No lançamento do Conselho, estavam presentes autoridades de 18 países, entre eles líderes de Cazaquistão, Kosovo, Paquistão, Paraguai, Qatar, Arábia Saudita, Turquia, Uzbequistão, Mongólia, Bahrein, Marrocos, Argentina, Armênia, Azerbaijão, Bulgária, Hungria, Indonésia e Jordânia, além do próprio Donald Trump.

Créditos: Poder360

Modo Noturno