Especialista avalia discurso diplomático e firme de Lula na ONU contra interferências dos EUA
Em entrevista ao Jornal da CBN, Felipe Estre, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e da Escola Superior de Defesa, e especialista em Estudos Diplomáticos, comentou os recados enviados por Lula a Donald Trump durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU.
Felipe Estre ressaltou que o discurso de Lula foi “bastante forte” ao criticar as interferências dos Estados Unidos no Brasil, e também foi “celebrado”, evidenciado pelos aplausos que o presidente brasileiro recebeu durante sua fala. Segundo o especialista, esta foi a 11ª vez que Lula abriu a Assembleia Geral das Nações Unidas, e, apesar da apreensão sobre o teor do discurso, não houve tom de apaziguamento, nem de ignorar as atitudes de Trump que afetam diretamente o Brasil.
Lula proferiu um discurso bastante celebrado, sendo interrompido três vezes para aplausos, contudo, foi firme em relação às interferências promovidas pela postura de Trump.
Sobre o pronunciamento do presidente americano, Felipe Estre observou que Trump ultrapassou o tempo previsto, falando “de forma errática” em alguns momentos, o que é incomum na Assembleia Geral, embora tenha tratado diversos temas de maneira direta.
O especialista também analisou a defesa do multilateralismo feita por Lula, destacando a importância da ONU e do sistema multilateral para a estabilidade da ordem mundial. Ele indica que a crítica expressa pelo presidente brasileiro está relacionada tanto ao contexto do Brasil quanto à atuação dos Estados Unidos, país que historicamente ajudou a construir essas instituições, mas que atualmente age contra elas.
Por fim, Estre considerou que, apesar da firmeza do discurso, ele era esperado diante das ações dos Estados Unidos. Além disso, afirmou que o pronunciamento foi diplomático, bem estruturado, capaz de realizar uma avaliação global da situação e deixar clara a posição do Brasil, exaltando as Nações Unidas como fórum para a resolução de problemas internacionais.
Créditos: cbn