Especialista explica presença de metanol em bebidas e investigação em curso
Segundo Thiago Carita Correra, doutor em química e professor do Instituto de Química da USP, o metanol pode aparecer em bebidas alcoólicas por erro no processo de produção ou adulteração intencional.
Na produção industrial, uma pequena quantidade de metanol pode se formar, inclusive em cervejas e vinhos, porém em níveis tão baixos que não representam risco ao ser humano. O metanol é um álcool tóxico, diferente do etanol, que pode causar cegueira e morte se metabolizado pelo organismo.
Correra esclarece que matérias-primas como cevada e trigo geram menos metanol. Frutas ricas em pectina, como uvas e maçãs, usadas em vinhos, podem originar um pouco mais, mas ainda assim em quantidades seguras.
A destilação correta descartando a “cabeça de destilação” é fundamental para eliminar o metanol, pois essa etapa concentra as substâncias mais voláteis, entre elas o metanol. O professor considera que processos autorizados e controlados são seguros e acidentes nesse âmbito são pouco prováveis.
Sobre adulteração criminosa, Correra aponta que não há vantagem financeira para quem usa metanol, pois ele não altera sabor nem aroma e é um produto controlado pela Polícia Federal, além de ser caro.
A Polícia Federal está investigando a origem de contaminações por metanol em bebidas e não descarta hipóteses. O superintendente regional em São Paulo, Rodrigo Luis Sanfurgo, disse que esforços para solucionar o caso estão em andamento. A apuração foi iniciada na terça-feira, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, destacou que a investigação pode identificar conexões com o crime organizado.
Existem suspeitas envolvendo a facção PCC e o uso ilegal de metanol para adulterar combustíveis, conforme apontado pela Associação Brasileira do Combate à Falsificação, e investigações policiais recentes em algumas regiões brasileiras intensificaram as fiscalizações em indústrias de bebidas.
A Polícia Civil de São Paulo ainda avalia se criminosos podem ter usado metanol para limpar garrafas, contaminando os resíduos nos vidros, conforme informações divulgadas pela coluna da Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
As fiscalizações recentes foram feitas em fábricas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recomendou cautela na ingestão de bebidas destiladas de procedência desconhecida, especialmente as incolores, enfatizando que não se trata de um produto essencial para o consumo.
Créditos: UOL