Esquerda mobiliza 18 capitais contra PEC da Blindagem e anistia
A aprovação da PEC da Blindagem e a urgência do projeto de anistia foram um “tiro pela culatra” para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), impulsionando a esquerda a levar milhares às ruas em 18 capitais brasileiras nesta quinta-feira.
As manifestações começaram durante a tarde em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. No Rio, sob um calor de 36°C, houve apresentações de artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan e Paulinho da Viola. Já em São Paulo, os manifestantes estenderam uma enorme bandeira do Brasil a partir das 14h.
Os protestos foram motivados contra a PEC que dificulta a abertura de processos penais contra parlamentares, conhecida como PEC da Blindagem, e contra o projeto de lei que propõe anistiar condenados por tentativa de golpe, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão. A urgência desse projeto também foi aprovada recentemente.
O cientista político Eduardo Grin, professor da FGV, comentou que embora os temas não tenham relação direta com o governo, mobilizaram uma população que não apoia nem Bolsonaro nem o centrão, ainda mais em um momento em que a esquerda encontrava dificuldade para se expressar nas ruas.
Grin afirmou que Motta saiu desgastado com a impopularidade dessas pautas e com a possibilidade crescente de a PEC ser rejeitada no Senado. Segundo ele, a tentativa de recuperar prestígio junto ao centrão e a Bolsonaro pode ser prejudicada pelo impacto negativo das manifestações.
As ruas mostraram que a esquerda pode voltar a se mobilizar em grande escala. Enquanto o bolsonarismo perde força para convocar manifestações, a esquerda conseguiu reunir um grande público, refletindo um saldo positivo, já que a opinião pública demonstra maior rejeição à anistia.
No Rio, cartazes e faixas criticaram a PEC e a anistia, com palavras de ordem contra Hugo Motta, chamado de “inimigo do povo”. Em João Pessoa, o presidente da Câmara também foi alvo de protestos.
Houve ainda manifestações no exterior, como em Londres e Berlim, onde cartazes também protestaram contra Motta.
Além das principais capitais, atos ocorreram em Recife, Porto Alegre, Florianópolis, Teresina, Campo Grande e Fortaleza, totalizando 33 cidades.
Em São Paulo, o ato reuniu 42,4 mil pessoas segundo levantamento do Cebrap, USP e da ONG More in Common, superando em número o ato bolsonarista pró-anistia realizado em 7 de setembro, que contou com 42,2 mil participantes, empatando na margem de erro. No Rio, a manifestação teve 41,8 mil presentes, ligeiramente abaixo do ato pró-anistia que contou com 42,7 mil manifestantes.
Em Brasília, o protesto reuniu pessoas em frente ao Museu da República, com a presença do ex-ministro José Dirceu (PT), dos deputados Érika Kokay (PT-DF) e Fábio Félix (PSOL-DF). Félix criticou a PEC da Blindagem, classificando-a como “uma vergonha nacional” destinada a blindar o Congresso.
Em Salvador, a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), o ator Wagner Moura e a cantora Daniela Mercury participaram do ato que reuniu multidões. Mercury cantou com uma bandeira do Brasil enquanto os manifestantes gritavam “sem anistia”. Ela declarou: “Não aceitamos essa PEC da Impunidade”.
Na capital maranhense, manifestantes mostraram fotos de deputados favoráveis à PEC, e a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) afirmou que a mobilização nacional foi decisiva para dificultar a aprovação da PEC. Para ela, todos devem estar sujeitos à lei e não existe uma “casta superior” no Brasil.
Os protestos expressaram a insatisfação popular frente às medidas aprovadas, refletindo um movimento que desafia a estratégia política de Hugo Motta e do centrão.
Créditos: UOL Noticias