Estados Unidos capturam Nicolás Maduro em operação militar no Caribe
Já se passaram mais de 24 horas desde que o ditador venezuelano Nicolás Maduro foi preso pelos Estados Unidos, sob o governo do presidente Donald Trump. A captura ocorreu por volta das 3h deste sábado (3) e desencadeou repercussões geopolíticas globais.
A operação dos EUA foi fruto de meses de planejamento, com ensaios meticulosos para realizar uma das ações militares mais complexas do país.
Atualmente, Maduro está sob custódia no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York. De acordo com a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, ele enfrentará julgamento baseado em acusações do Distrito Sul de Nova York, envolvendo conspiração de narcoterrorismo, importação de cocaína e posse ilegal de metralhadoras e dispositivos destrutivos.
Moradores de Caracas relataram tremores, ruídos de aeronaves e movimentação nas ruas durante a madrugada, com pelo menos sete explosões ouvidas em 30 minutos e interrupção de energia em parte da cidade.
Um oficial venezuelano, em depoimento ao The New York Times, informou que cerca de 40 pessoas morreram durante a ofensiva dos EUA, embora números oficiais de vítimas não tenham sido divulgados.
As tropas americanas chegaram ao complexo onde estavam Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A Força Delta, unidade de operações especiais de elite do Exército dos EUA especializada em contraterrorismo, resgate de reféns, ação direta e reconhecimento especial, comandou a ação.
O presidente Trump afirmou que a residência de Maduro era fortificada e que o líder venezuelano tentou alcançar uma sala segura, mas foi surpreendido pela operação, que ocorreu enquanto ele e sua esposa dormiam.
A CIA mantinha uma pequena equipe na Venezuela desde agosto, que forneceu informações sobre a rotina de Maduro, facilitando sua captura, conforme fontes da CNN e Reuters.
Após a captura, Maduro e sua esposa foram transportados de helicóptero para o navio militar USS Iwo Jima, posicionado no Caribe há meses. Este navio é especializado em desembarque de helicópteros e já havia enviado fuzileiros navais para operações contra o narcotráfico na região.
Na manhã seguinte, Donald Trump anunciou a prisão pelo Twitter Truth Social, afirmando que os EUA realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela, capturando Maduro e sua esposa e tirando-os do país por via aérea.
O governo venezuelano classificou o ocorrido como uma agressão grave e declarou que o ataque viola a Carta das Nações Unidas, citando os princípios da soberania, igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força.
Segundo a Venezuela, o objetivo do ataque é confiscar recursos estratégicos, como petróleo e minerais, para quebrar a independência política do país.
Trump divulgou a primeira imagem oficial de Maduro após a prisão, mostrando-o com os olhos vendados, fones de ouvido e algemado. Na ocasião, a localização exata do líder venezuelano ainda não havia sido divulgada.
Em coletiva realizada em seu clube Mar-a-Lago, na Flórida, Trump afirmou que os EUA governarão a Venezuela imediatamente após a captura, e comentou sobre a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, afirmando que ela não possui o respeito necessário para governar o país.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, em discurso na TV estatal, reafirmou que Maduro é o único presidente legítimo do país e denunciou a captura como um “sequestro” promovido pelos EUA. Ela convocou unidade para defender a nação e anunciou a formação de um conselho especial de defesa para responder ao ataque.
No fim de sábado, a Suprema Corte venezuelana determinou que Delcy Rodríguez assumiria como presidente interina, para garantir a continuidade administrativa e a defesa do país.
Maduro desembarcou nos EUA escoltado por agentes federais, estava algemado e trajando roupas cinzas. Foi fichado pela DEA em Manhattan, local onde também foram colhidas suas impressões digitais e tiradas fotografias. A esposa teria passado pelos mesmos procedimentos.
Ele permanece no Centro de Detenção Metropolitano no Brooklyn, onde outras figuras de casos federais conhecidos também já estiveram.
O ditador deve comparecer a tribunal federal em Manhattan na próxima semana para responder às acusações relacionadas ao tráfico de drogas e porte ilegal de armas.
Nenhum militar americano morreu na operação, embora alguns tenham sofrido ferimentos por balas e estilhaços, sem gravidade, conforme fontes oficiais.
A prisão onde Maduro está detido já recebeu personalidades famosas como Sean “Diddy” Combs.
A captura gerou reações internacionais divididas. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva repudiou a ação, considerando-a uma afronta grave e uma linha inaceitável ultrapassada.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, condenou a operação por contrariar princípios do direito internacional e ressaltou que soluções duradouras devem ser decididas pelo povo venezuelano.
A Coreia do Norte denunciou o ataque como a mais grave violação de soberania, segundo a agência KCNA.
Em contrapartida, o presidente argentino Javier Milei celebrou a prisão de Maduro e os governos da Argentina e do Equador anunciaram a proibição de entrada a pessoas ligadas ao regime venezuelano.
O Conselho de Segurança da ONU agendou uma reunião de emergência para 5 de junho, às 12h, para debater a operação dos EUA contra a Venezuela.
Créditos: CNN Brasil