EUA enviam caças à Groenlândia durante exercício da Otan em resposta a tensões
As Forças Armadas dos Estados Unidos enviaram caças, provavelmente modelos avançados F-35, para sua base localizada no norte da Groenlândia, uma movimentação anunciada pelo Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (Norad) nesta segunda-feira (19).
Esta ação ocorre simultaneamente a um exercício militar da Otan, no qual países europeus aliados dos EUA deslocaram soldados e equipamentos para a região, buscando demonstrar sua capacidade de defesa do território autônomo contra a Rússia.
O Norad enfatizou que a operação é rotineira, realizada em colaboração com as forças de Copenhague, e que o governo da Groenlândia foi devidamente informado. Tais manobras são habituais para treinar a interceptação de aviões hostis no Ártico.
No entanto, o momento da operação é notável, já que acontece em meio ao conflito diplomático causado pela proposta do presidente Donald Trump de adquirir a Groenlândia da Dinamarca, proposta esta rejeitada firmemente pelos países europeus.
Nenhum número oficial foi divulgado sobre o contingente de caças ou pessoal envolvido na missão, que coincide com a forte resposta da Europa à ideia de Trump de tomar a ilha, um território autônomo dinamarquês.
Embora não haja expectativa de confrontos entre aliados da Otan, dada a importância da aliança fundada para a defesa mútua contra a Rússia, o momento permanece sensível.
Rumores na internet indicam como certa uma tomada parcial da região próxima à base americana de Pituffik, embora tais cenários não tenham respaldo na realidade atual.
Desde a semana anterior, com a intensificação das declarações de Trump afirmando que sua decisão sobre a Groenlândia é definitiva, diversos países enviaram pequenos grupos militares para a ilha: França, Alemanha, Noruega, Suécia, Finlândia, Holanda e Reino Unido, ao lado da Dinamarca, que possui o maior efetivo, cerca de 120 militares.
Os 13 soldados alemães enviados inicialmente retornaram no fim de semana, alegando terem apenas verificado as condições para possível presença permanente, sem participar do exercício militar, sem explicações adicionais.
Na sexta-feira (17), Trump ameaçou impor sobretaxas de 10% sobre importações dos países que apoiarem a Dinamarca na questão, gerando mais tensão entre os aliados europeus.
Embora os números das tropas envolvidas sejam pequenos, a Dinamarca tem divulgado fotos dos soldados treinando na ilha. O fato de não usarem camuflagem para neve sugere que a operação foi realizada às pressas.
Essa situação tem impactos variados, inclusive no processo de negociação para tentar encerrar a invasão russa da Ucrânia, foco atual de guerra na Europa. O primeiro-ministro belga, Bart de Wever, afirmou que as forças europeias foram complacentes com Trump na esperança de seu apoio a Kiev.
Na Groenlândia, os EUA mantêm desde 1951 a presença militar mais robusta entre os países da Otan, com a base de Pituffik (antigamente Thule) sendo fundamental para a defesa americana.
Essa base controla satélites e radares que detectam a chegada de mísseis nucleares de silos russos ou chineses, que poderiam usar o Ártico como rota mais curta para atacar os EUA.
Além disso, há uma extensa rede de sensores acústicos para monitorar submarinos e navios russos da Frota do Norte, baseada perto de Murmansk. Recentemente, a Otan realizou um incomum exercício de tiro real para afundar uma fragata na região, próxima à Noruega.
Essa operação reforça a importância estratégica da Groenlândia no contexto da segurança e da geopolítica entre os EUA, Europa e Rússia no Ártico.
Créditos: Folha de S.Paulo