Internacional
18:09

EUA interceptam dois petroleiros ligados à Venezuela após perseguição prolongada

As Forças Armadas dos Estados Unidos interceptaram dois navios petroleiros com ligações à Venezuela, sendo um deles perseguido no Atlântico por cerca de duas semanas. O segundo navio foi abordado no Mar do Caribe.

A operação foi confirmada por agências internacionais, com a rede estatal russa RT divulgando um vídeo que mostra um helicóptero americano sobrevoando uma embarcação em águas internacionais.

Segundo uma autoridade americana envolvida na ação, a Guarda Costeira realizou a abordagem do petroleiro após aproximadamente duas semanas de perseguição, sem encontrar resistência da tripulação.

O Marinera, navio com bandeira russa que transportava óleo venezuelano no Atlântico, esteve sob vigilância há duas semanas. Em dezembro, o governo americano havia imposto embargo total ao transporte de petróleo e derivados para a Venezuela.

Desde então, diversos navios passaram a desligar seus sistemas de comunicação e evitam contato com as forças americanas.

O Bella-1, que navegava com bandeira da Guiana, mudou seu nome para Marinera e adotou registro russo. A Rússia despachou ao menos um navio de sua marinha para escoltá-lo, de acordo com um funcionário americano informado sobre a situação.

O jornal The Wall Street Journal reportou que a Rússia mobilizou um submarino no Atlântico para escolta, mas no momento da abordagem da Guarda Costeira, não havia embarcações russas próximas, evitando um confronto.

O navio foi sancionado pelos EUA em 2024 por suposto contrabando para uma empresa ligada ao grupo libanês Hezbollah. Em dezembro, a Guarda Costeira tentou abordá-lo no Caribe, mas o navio resistiu e seguiu viagem pelo Atlântico.

A apreensão ocorreu quatro dias após uma incursão em Caracas que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores.

Após a captura, o governo americano afirmou que continuaria a apreender navios sancionados ligados à Venezuela.

Em comunicado à agência estatal Tass, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia alegou que o petroleiro operava em conformidade com o direito marítimo internacional e criticou a atenção militar dos EUA e da Otan como desproporcional.

O navio navegava no Oceano Atlântico entre a Islândia e o Reino Unido com sinalizador de localização ativo, segundo dados da MarineTraffic. Seu destino não estava claro, podendo seguir para o Mar Báltico ou Murmansk.

Desde a captura de Maduro, o governo Trump tem intensificado a pressão sobre a Venezuela e suas exportações de petróleo.

Na terça-feira à noite, Trump anunciou que a Venezuela começaria a enviar petróleo para os EUA, mencionando uma transferência entre 30 milhões e 50 milhões de barris, correspondente a cerca de dois meses de produção.

Caso confirmado, o plano visa explorar as reservas petrolíferas da Venezuela, com controle dos lucros para beneficiar os povos dos dois países, segundo Trump.

Estima-se que essa exportação represente entre US$ 1,8 bilhão e US$ 3 bilhões para os EUA, embora não esteja claro se a Venezuela receberá algum benefício.

O bloqueio parcial dos Estados Unidos tem reduzido as exportações de energia da Venezuela, importante fonte de receita do país.

Trump também exigiu que a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, conceda aos EUA acesso total à indústria petrolífera e promova a expulsão de assessores da China, Rússia e Cuba.

Rodríguez sugeriu a possibilidade de diálogo, mas reafirmou o controle do governo venezuelano sobre o país, com uma postura firme. “O governo da Venezuela governa nosso país. Ninguém mais”.

Créditos: Estadão

Modo Noturno