Internacional
12:10

EUA interceptam petroleiro russo com óleo venezuelano no Atlântico

Os Estados Unidos interceptaram, na quarta-feira (7), um petroleiro com bandeira russa que transportava petróleo venezuelano no Oceano Atlântico, numa possível escalada da crise iniciada com a captura do ditador Nicolás Maduro e sua esposa pelos americanos no sábado (3).

A ação foi confirmada à Reuters e pela rede estatal russa RT, que divulgou um vídeo mostrando um helicóptero americano sobrevoando a embarcação em águas internacionais. Detalhes da operação ainda não foram divulgados.

A perseguição ao navio Marinera começou duas semanas atrás. Em 10 de dezembro, outro petroleiro venezuelano já havia sido interceptado e apreendido pelos EUA. O governo de Donald Trump determinou embargo total ao transporte de petróleo venezuelano.

Diante disso, vários petroleiros em alto mar desligaram seus sistemas de comunicação e tentaram fugir das forças americanas. O Bella-1, registrado na Guiana, mudou de nome para Marinera e passou a usar a bandeira russa, baseada em Sochi, no Mar Negro, para tentar maior proteção.

No entanto, essa estratégia não impediu a perseguição. Em 6 de janeiro, ao se aproximar do petroleiro, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia alertou para a necessidade de respeitar a liberdade de navegação conforme o direito internacional.

Segundo o Wall Street Journal, a Rússia teria mobilizado um submarino no Atlântico para escoltar o Marinera, mas um analista militar em Moscou considerou essa ação difícil politicamente, pois poderia gerar conflito com os EUA, algo que Putin não deseja, além do tempo que o submarino levaria para chegar ao petroleiro.

Não está claro como está sendo feita a abordagem, que ocorreu durante uma tempestade, segundo o vídeo divulgado pela RT.

A Rússia, junto com a China, é a maior apoiadora do regime chavista da Venezuela. Entre 2005 e 2013, Moscow forneceu equipamentos militares avaliados em cerca de R$ 80 bilhões e manteve extensas operações petrolíferas até 2020, que se restringiram devido às sanções contra Caracas.

O Kremlin apoia também a ditadura cubana, um dos pilares do chavismo, que enfrenta dificuldades econômicas devido ao embargo petrolífero imposto por Trump, o que pode agravar a instabilidade social na ilha.

Durante o cerco militar americano a Maduro, Moscou prometeu apoio, mas pouco pôde fazer enquanto negociava com Trump um acordo para encerrar a Guerra da Ucrânia em termos favoráveis.

Essas negociações estão agora incertas, após a captura de Maduro e o endurecimento da posição americana nas conversas atuais em Paris.

Os EUA não resistem à proposta europeia de enviar uma força de paz para Kiev caso haja trégua, algo rejeitado pelos russos.

Por enquanto, Putin demonstrou apoio à líder interina venezuelana Delcy Rodríguez, que combina abertura ao diálogo com Trump e críticas à ação que levou Maduro a ser acusado de narcoterrorismo em Nova York.

O principal objetivo da ação de Trump contra a Venezuela é eliminar um governo hostil e obter acesso às maiores reservas petrolíferas do mundo, embora o óleo venezuelano seja de baixa qualidade. O governo americano anunciou um plano para receber 50 milhões de barris e lucrar com a venda, embora isso ainda não esteja confirmado.

Créditos: Folha de S.Paulo

Modo Noturno