EUA limitam circulação do ministro Padilha em Nova York e indicam sanções a Brasil
Os Estados Unidos impuseram restrições à movimentação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Nova York, limitando-o a circular em um perímetro de cinco quarteirões entre o hotel e a sede da Organização das Nações Unidas (ONU).
Padilha recebeu o visto americano após atraso e foi o último integrante da delegação a obtê-lo para acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estará na cidade entre 20 e 24 de setembro.
De acordo com integrantes do governo brasileiro, as autoridades americanas determinaram que o ministro só pode transitar nas rotas entre o hotel onde está hospedado, a sede da ONU e as representações brasileiras ligadas ao organismo.
Há expectativa de que Padilha participe da conferência internacional da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e da Assembleia Geral da ONU, onde Lula fará o discurso de abertura.
O visto do ministro estava vencido desde 2024 e a renovação foi solicitada no dia 18 de agosto. Quando questionado sobre a demora para obtenção do documento, Padilha declarou não se importar, afirmando que só quem deseja ir aos EUA se preocupa com o visto.
No mês anterior à solicitação da renovação, a esposa e a filha de Padilha tiveram seus vistos cancelados pelo governo americano. A medida também atingiu servidores públicos federais que participaram do programa Mais Médicos, criado em 2013 durante o governo Dilma Rousseff, com a justificativa da Casa Branca de que médicos cubanos vinculados ao programa foram vítimas de exploração laboral.
A situação ocorre em meio a uma resposta dos EUA ao tratamento dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos de prisão na semana anterior.
O presidente americano, Donald Trump, chegou a condicionar negociações comerciais entre os países à interrupção do processo contra Bolsonaro.
Além disso, a Casa Branca sinalizou a possibilidade de novas sanções contra autoridades brasileiras, com foco no ministro do STF Alexandre de Moraes, que teve seu visto cancelado e está proibido de realizar transações comerciais e financeiras com empresas americanas.
A comitiva presidencial embarca para Nova York no domingo, mas ainda havia dúvidas sobre a liberação de vistos para todos os integrantes pouco antes da viagem.
Créditos: O Globo