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Ex-delegado Ruy Ferraz teria detectado irregularidades em contratos antes de ser assassinado

Ruy Ferraz Fontes, 64 anos, ex-delegado da Polícia Civil e atual secretário de Administração de Praia Grande, na Baixada Santista, teria identificado irregularidades em processos licitatórios da prefeitura local e planejava apresentar um relatório ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Ferraz foi morto a tiros de fuzil no dia 16 de setembro. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) identificou sete suspeitos do crime, dos quais quatro foram presos e três continuam foragidos, todos com prisão temporária decretada.

No veículo do ex-delegado foram encontrados documentos, seu celular e pertences pessoais, todos apreendidos para perícia pela força-tarefa responsável pela investigação.

Segundo o DHPP, inicialmente os documentos não indicam conexão direta com o homicídio. Como secretário de Administração, uma das funções de Ferraz era acompanhar processos licitatórios, conforme declarou o prefeito Alberto Mourão (MDB).

Pessoas próximas ao ex-delegado acreditam que o assassinato não está relacionado com possíveis irregularidades, uma vez que a análise do TCE pode levar até três anos, e geralmente as empresas investigadas são substituídas nesses casos.

Uma dessas fontes, que teria orientado Ferraz sobre a elaboração do documento para o TCE, afirmou que a descoberta das irregularidades é recente e provavelmente não motivou o crime. Ela destacou que a preparação do atentado teria começado pelo menos seis meses antes, com furtos de veículos usados no ataque: um Toyota Hilux em julho, em Pinheiros, e um Jeep Renegade em março, na Cidade Dutra.

O DHPP não descarta essa hipótese, mas investiga também possível ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), grupo que Ferraz combatera e do qual prendeu líderes e familiares.

Foram divulgados os nomes dos suspeitos presos: Dahesly Oliveira Pires, acusada de transportar o fuzil; Luiz Henrique Santos Batista, o Fofão; Rafael Marcell Dias Simões, o Jaguar; e Willian Silva Marques, motorista e proprietário de imóvel utilizado pelos criminosos. Outra residência ligada ao crime fica em Mongaguá.

Fofão admitiu facilitar fuga de Jaguar, que tem condenação de 23 anos por sequestros e negou participação no homicídio. Ambos são apontados como membros do PCC. Três suspeitos permanecem foragidos.

Dahesly afirmou em depoimento ter recebido R$ 1,5 mil para buscar o fuzil, pagamento atribuído a Luiz Antônio Rodrigues de Miranda, também foragido. Imagens indicam que um Toyota similar ao usado no crime esteve estacionado em frente à casa dele.

Os outros fugitivos são Felipe Avelino da Silva, o Masquerano, e Flávio Henrique Ferreira de Souza, que deixaram digitais no Jeep usado na fuga.

A reportagem não conseguiu contato com os advogados dos suspeitos, que poderão se manifestar futuramente.

Créditos: UOL

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