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Ex-diretor da PF no governo Lula é preso por suspeita de corrupção em MG

Rodrigo de Melo Teixeira, ex-diretor da Polícia Federal que atuou na gestão Lula, foi preso nesta quarta-feira (17) em uma operação que investiga organização criminosa suspeita de crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro em Minas Gerais.

Teixeira ocupava o cargo de diretor de Polícia Administrativa no início da gestão do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, deixando a posição no final do ano passado.

As investigações indicam que ele teria negociado direitos minerários com um grupo criminoso que atuava em Minas Gerais, tendo como um dos interlocutores o lobista Gilberto Henrique Horta de Carvalho, também alvo de prisão.

A Polícia Federal o considera uma “peça central” da organização criminosa, atuando na gestão de empresas no setor de mineração, ainda que sem participação formal nas sociedades.

Em 2018, Teixeira assumiu a superintendência da PF em Minas Gerais, cargo em que esteve durante o atentado a faca contra o ex-presidente Jair Bolsonaro em Juiz de Fora, além da condução das investigações do caso e do desastre de Brumadinho.

Ele também foi Secretário Municipal Adjunto na Secretaria de Segurança e Prevenção de Belo Horizonte, durante a gestão do ex-prefeito Alexandre Kalil, aliado político do ministro Alexandre Silveira. Kalil foi governador pela chapa do PSD em 2022.

Segundo a PF, há indícios de que Teixeira ocultou propriedades empresariais, cometeu corrupção, obstruiu a Justiça e integrou organização criminosa.

Interceptações indicam que Teixeira era administrador de fato da sociedade Gmais Ambiental Ltda., criada em março de 2021, enquanto secretário adjunto em Belo Horizonte, e dela obtinha ganhos derivados da exploração minerária ilegal. Ele também era administrador de fato da empresa Brava.

As investigações apontam ainda que ele influenciava conduções de inquéritos relacionados à mineração dentro da Polícia Federal.

A operação, chamada Rejeito, também prendeu Caio Mário Trivellato Seabra Filho, diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM).

O grupo investigado teria alcançado lucro de R$ 1,5 bilhão, com projetos em andamento que podem ultrapassar R$ 18 bilhões em valor econômico. A operação tem apoio do Ministério Público Federal e da Receita Federal.

Ao todo, são cumpridos 79 mandados de busca e apreensão, 22 prisões preventivas, afastamento de servidores públicos, bloqueio de R$ 1,5 milhão e suspensão das atividades de pessoas jurídicas envolvidas.

O grupo teria corrompido servidores em órgãos estaduais e federais de fiscalização ambiental e de mineração para conseguir licenças e autorizações fraudulentas.

Entre os alvos estão funcionários do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da ANM, da Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (FEAM) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad).

Créditos: Folha

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