Ex-diretor da PRF que tentou fuga no Paraguai está sob custódia da PF
O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi entregue pela polícia paraguaia à Polícia Federal (PF), conforme imagens exibidas pela Globonews. Ele foi detido na madrugada no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, enquanto tentava embarcar para um voo internacional rumo a El Salvador.
Silvinei foi levado até a Ponte da Amizade, na fronteira entre Paraguai e Brasil, por volta das 20h30, onde foi transferido à custódia da PF.
A PF informa que a prisão ocorreu diante de uma possível tentativa de fuga. No dia 16 de dezembro, o ex-diretor da PRF foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 24 anos e seis meses de prisão. A condenação decorre do julgamento do núcleo 2 da trama golpista e inclui crimes como tentativa de derrubada do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Alertas foram gerados após a PF notar a falta de sinal GPS na tornozeleira eletrônica de Silvinei durante a madrugada de 25 de dezembro. Às 23h, uma equipe da PF esteve no endereço do ex-diretor, mas ele não foi localizado. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, foi informado e decretou prisão preventiva.
O Paraguai prendeu Silvinei após receber um alerta do Comando Tripartite, órgão de cooperação policial entre Brasil, Argentina e Paraguai, confirmou a Polícia Nacional do país. O ex-diretor portava documentos falsificados no momento da detenção. A PF confirmou sua identidade após consulta das autoridades paraguaias.
Vasques teria saído de Santa Catarina e ido de carro até Assunção antes da prisão. A PF divulgará mais informações sobre a prisão assim que Silvinei chegar ao Brasil.
Apesar da condenação, ele ainda não cumpre a pena em regime fechado, pois os prazos para apresentação de embargos pela defesa não foram concluídos.
Silvinei é o terceiro condenado na trama golpista a tentar fuga. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso em 22 de novembro após tentar romper a tornozeleira eletrônica que usava em prisão domiciliar. O deputado Alexandre Ramagem está foragido após viajar para os EUA e não utilizava tornozeleira.
De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República, Silvinei ordenou ilegalmente blitze para dificultar a circulação de eleitores no segundo turno das eleições, em 30 de outubro de 2022. O advogado Eduardo Pedro Nostrani Simão defende que o ex-diretor foi alvo de uma campanha midiática e fake news.
Silvinei já havia sido preso em agosto de 2023 por determinação do ministro Alexandre de Moraes, que apontou risco de coação a testemunhas. Ele permaneceu preso por um ano, até ser solto mediante uso da tornozeleira, suspensão do porte de armas e outras medidas cautelares.
Em janeiro, Silvinei assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação da prefeitura de São José, Santa Catarina, cargo que deixou após sua condenação na trama golpista.
Créditos: UOL