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21:07

Ex-diretor da PRF Silvinei Vasques é preso no Paraguai após tentativa de fuga

O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso pela polícia paraguaia na madrugada da sexta-feira (26/12), no aeroporto internacional de Assunção.

Vasques estava proibido de deixar o Brasil em decorrência de sua condenação por golpe de Estado, e sua saída do país é tratada como fuga pela Polícia Federal (PF).

Para tentar deixar o Brasil, ele utilizou um carro alugado e portava um passaporte paraguaio falsificado, além de uma carta que afirmava estar em tratamento para câncer, com o objetivo de justificar sua viagem para El Salvador a partir da capital paraguaia.

O ex-diretor foi acusado de organizar uma operação nas estradas para dificultar o deslocamento de eleitores do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principalmente na região Nordeste.

Em 16 de dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou a 24 anos e seis meses de prisão por tentativa de abolição do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado.

Vasques ocupava o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico e Informação em São José (SC), cargo do qual pediu exoneração após a condenação pelo STF.

Os prazos para recursos ainda não estavam esgotados, por isso a pena em regime fechado ainda não havia começado a ser cumprida.

Uma audiência marcada para a tarde da sexta-feira decidirá sobre a possível deportação de Vasques para o Brasil.

Segundo a Polícia Federal, na madrugada de quinta-feira (25/12), por volta das 3h, a tornozeleira eletrônica usada por Vasques perdeu o sinal de GPS.

Mais tarde, próximo às 13h, houve perda do sinal da rede GPRS, possivelmente devido ao fim da bateria.

À noite, por volta das 23h, uma equipe da Superintendência Regional da Polícia Federal em Santa Catarina foi acionada para verificar o possível descumprimento das medidas restritivas impostas ao ex-diretor, mas ele não estava no local.

Investigadores descobriram que Vasques saiu do prédio onde residia em São José (SC) por volta das 19h22, utilizando um veículo alugado pela empresa Localiza.

Imagens das câmeras de segurança mostraram que ele carregou no carro bolsas com diversos sacos de tapete higiênico para cães, potes comedouros e um cachorro que aparentava ser da raça pitbull.

A porta do apartamento estava trancada, impedindo a verificação da tornozeleira eletrônica.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, foi informado da tentativa de fuga e da falsificação do passaporte e determinou a prisão preventiva de Vasques.

Na ocasião da prisão, Vasques usava um passaporte falso com sua foto, em nome de Julio Eduardo Baez Fernandez.

Ele também portava uma carta escrita em espanhol, destinada às autoridades do aeroporto, alegando ser surdo e mudo devido a efeitos colaterais de tratamentos de quimioterapia e radioterapia realizados em Foz do Iguaçu (PR) para um câncer na cabeça.

O documento também continha uma prescrição médica e indicava seu destino em San Salvador, El Salvador, onde faria uma radiocirurgia para prolongar a vida.

No dia do segundo turno das eleições de 2022, Vasques teria ordenado uma operação da PRF que fiscalizava circulação de ônibus em áreas onde Lula tinha base forte, especialmente no Nordeste, descumprindo determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O presidente do STF, à época, Alexandre de Moraes, suspendeu imediatamente as blitze e convocou Vasques para explicações.

Mais de 560 abordagens de fiscalização a coletivos foram registradas.

Na véspera do pleito, Vasques manifestou publicamente apoio a Jair Bolsonaro no Instagram, mas apagou a postagem logo depois.

Esse apoio resultou em condenação por improbidade administrativa em agosto de 2023, com multa estipulada em R$ 546.631,92, por uso indevido de recursos públicos e imagem institucional.

No STF, Vasques integrava o denominado “núcleo 2” de gerenciamento das ações golpistas, que coordenava monitoramento de autoridades, contatos com manifestantes e elaboração de minutas golpistas.

Ele foi preso preventivamente em 2023, liberado em agosto, e em abril de 2024 assumiu cargo público em São José (SC).

Além de Vasques, outros condenados do núcleo 2 envolvem Marcelo Câmara, Filipe Martins e general Mario Fernandes. Apenas o delegado Fernando Oliveira foi absolvido.

Natural de Ivaiporã (PR), Vasques foi nomeado diretor-geral da PRF em abril de 2021. Formado em Economia e Direito, com especializações e mestrado, ingressou na PRF em 1995 e se aposentou em 2022.

Sua prisão no Paraguai demonstra a tendência de bolsonaristas condenados tentarem evitar prisões fugindo do país, caso também de Alexandre Ramagem, Carla Zambelli e Allan dos Santos, que deixaram o Brasil após condenações por crimes ligados a golpes e ataques ao Estado democrático.

Esses casos mostram o desafio das autoridades brasileiras em garantir o cumprimento das sentenças impostas pelo STF contra membros implicados em tentativas de golpe de Estado.

Créditos: BBC News Brasil

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