Política
18:10

Ex-embaixador Rubens Barbosa avalia primeiro ano do segundo mandato de Trump

Nesta terça-feira (20), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, completa um ano do seu segundo mandato na Casa Branca. A coluna conversou com Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Londres (1994-1999) e em Washington (1999-2004), para analisar esse período.

Ao fazer um balanço do primeiro ano, Barbosa destaca que Trump promoveu mudanças significativas no cenário internacional. Segundo ele, Trump, com sua força unilateral, alterou as relações entre países, enfraqueceu o multilateralismo e abalou as Nações Unidas. Um exemplo citado é a proposta de criação de um Conselho da Paz para o mundo inteiro, sob a presidência dos Estados Unidos, iniciativa que ele considera exótica e contraditória com uma resolução da ONU sobre Gaza.

Em relação à base eleitoral do governo Trump, o movimento “Make America Great Again” (MAGA), Barbosa observa que embora Trump afirme querer tornar os EUA grandes novamente, suas ações externas colocam o país como um “xerife do mundo”. O impacto dessa postura gera incertezas, como a disputa pela Groenlândia e a ameaça de uma guerra tarifária entre EUA e União Europeia. O ex-embaixador ressalta que muitos apoiadores do MAGA estão mais preocupados com assuntos internos, como inflação.

Sobre a estratégia militar dos EUA, ele cita o documento National Security Strategy, que evidencia uma postura intervencionista voltada a conter a China. Trump exclui a China do Conselho da Paz e visa manter a hegemonia americana apesar do crescimento chinês.

No que tange à posição do Brasil, Barbosa considera que o país, como potência regional, deve manter independência, sem alinhamento exclusivo a Estados Unidos ou Rússia. Ressalta a importância do acordo Mercosul-União Europeia, que tem forte viés geopolítico e apoio do presidente Lula na reta final. Ele defende que o Brasil deve priorizar seus interesses nacionais e desenvolver uma estratégia própria, já que atualmente carece de um projeto nacional e reage a problemas em vez de antecipá-los.

Em termos de estratégias, Barbosa alerta para a necessidade de definir metas claras, desde crescimento econômico até segurança, e implementar reformas e políticas efetivas. Ele observa que o crescimento atual é medíocre e o governo reage a crises internas como corrupção e criminalidade sem apresentar soluções estruturais. Destaca que sem políticas fiscais rigorosas, uma crise econômica mais profunda é provável.

Sobre a ordem internacional, Barbosa lembra que as instituições criadas após a Segunda Guerra Mundial, como ONU, FMI e Banco Mundial, foram influenciadas pelos EUA. Hoje, entretanto, esses países vêm desconstruindo o multilateralismo, como revela a proposta unilateral do Conselho da Paz.

A imprevisibilidade de Trump desorganiza o cenário global, citando a disputa com a União Europeia pela Groenlândia e as tensões com Venezuela. Ele age sem limites claros, guiado apenas pela sua vontade.

Quanto à Groenlândia, Barbosa explica que não há intenção militar, mas Trump tenta pressionar a União Europeia devido a interesses geopolíticos e minerais, o que acarreta tensões comerciais com tarifas altas que impactam o comércio mundial.

Sobre as eleições de meio de mandato, Barbosa avalia que se Trump perder uma das Casas do Congresso, enfrentará grande resistência, inclusive de republicanos que já se mostram contrários a certas medidas como o ICE. O fortalecimento do Executivo em detrimento dos outros poderes gera tensão, mas o Congresso e o Judiciário deverão agir para equilibrar o sistema.

Esse contexto retrata um momento de instabilidade sem precedentes nas relações internacionais, com o enfraquecimento das alianças e instituições construídas no pós-guerra, marcado por ações unilaterais e uma redefinição da ordem mundial.

Créditos: Gauchazh

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