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Exército Brasileiro reforça Roraima diante da tensão EUA-Venezuela

No sábado, 20 de dezembro de 2025, os Estados Unidos aprisionaram um segundo petroleiro venezuelano em dez dias, elevando a tensão no norte da América do Sul a níveis pouco vistos nas últimas décadas. A crise preocupa as Forças Armadas brasileiras, especialmente pelo risco de seu reflexo no território nacional, e foi tema de discussões na cúpula militar, também abordada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma possível “catástrofe humanitária e um precedente perigoso”.

Quatro oficiais de alta patente do Exército, ativos e da reserva, falaram com este colunista sob anonimato, traçando uma análise do cenário. Concordam que um conflito seria desastroso e demonstram preocupação com o uso do poder militar dos EUA para fins políticos na América Latina, algo incomum nas últimas décadas.

Um general recém-aposentado e ex-Estado-Maior, que conhece bem o Norte, declarou que esta é a maior crise geopolítica vista próxima às fronteiras brasileiras desde a crise dos mísseis em Cuba, em 1962.

Outro general também recém-saído do Estado-Maior afirmou que essa situação é como abrir uma Caixa de Pandora, sem saber como acabará. Para ele, qualquer brasileiro responsável observa a situação com extrema preocupação, ressaltando a gravidade política de uma intervenção militar na América do Sul e criticando a postura de populistas que a ignoram.

Um coronel com experiência em geopolítica e em vários países latino-americanos avalia que a estratégia de Donald Trump visa estabelecer as Américas como zona exclusiva de influência dos EUA, afastando investimentos russos e chineses. Por sua vez, um general de Divisão participante de exercícios em Roraima acredita que o Brasil não deve temer uma ação militar americana direta, apontando a existência de um acordo secreto que permitiria aos EUA explorar terras raras brasileiras, evitando confrontos diretos com a China.

Os especialistas julgam pouco provável uma invasão em larga escala pela força dos EUA na Venezuela, considerando Trump um empresário que agiria buscando objetivos específicos, como atacar refinarias, bases militares e capturar autoridades, sem ocupar o território. Também afirmam que o Exército venezuelano não teria condições contra os norte-americanos, pois sua atuação é mais voltada para o controle interno.

A ajuda russa ao regime de Maduro é considerada improvável, dada a prioridade da Rússia no conflito ucraniano. O prognóstico mais provável seria uma pressão crescente dos EUA, combinada com negociações nos bastidores para uma saída negociada, semelhante ao caso de Bashar Al-Assad na Síria.

No cenário brasileiro, Roraima, que faz fronteira com a Venezuela, é foco estratégico das Forças Armadas. O Exército atua em três frentes naquele estado: território Yanomami, para impedir garimpo ilegal; fronteira venezuelana, com a Operação Acolhida para acolher refugiados; e fronteira com Guiana, preocupando-se com a possibilidade de tropas venezuelanas entrarem em território brasileiro para atacar áreas em disputa.

Para reforçar a segurança, o Exército aumentou sua atuação em Roraima: de um para três generais na região, ampliação da Brigada de Infantaria da Selva de esquadrão para regimento, e reforço do arsenal com cerca de 50 viaturas blindadas, incluindo 28 de combate, além de mísseis antitanque e antiaéreos. Esse reforço custou aproximadamente R$ 500 milhões.

Atualmente, estão na fronteira com a Guiana viaturas blindadas perfazendo uma variedade de funções, desde comando até transporte e reconhecimento. O grande desafio brasileiro para resposta rápida é logístico, pois os meios mais potentes estão concentrados no Centro-Sul, enquanto a tensão ocorre no Norte. O recente exercício militar Atlas testou deslocamento e mobilidade, envolvendo 10 mil militares e cerca de 470 veículos de combate.

O exercício demonstrou que o deslocamento de blindados da região Centro-Sul até Roraima pode levar semanas, dificultado por pouca infraestrutura viária e aeroportos escassos, reforçando a importância da Força Aérea. O uso de drones, especialmente armados, ainda é incipiente nas Forças Armadas brasileiras.

O maior receio diante de um eventual conflito é o aumento do fluxo migratório venezuelano. Atualmente, cerca de 20% da população daquele país está fora, sendo o Brasil o segundo destino mais procurado após a Colômbia.

Um general que atua na Região Norte acredita que, se o regime de Maduro cair, muitos militares desertores poderiam cruzar para o Brasil. Aqueles que chegaram recentemente por meio da Operação Acolhida podem tentar retornar para apoiar um novo governo, enquanto imigrantes já estabelecidos tendem a permanecer, considerando suas vidas e oportunidades de emprego mais consolidadas no Brasil.

Créditos: GauchaZH

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