Filhos de Bolsonaro se organizam; Flávio e Michelle devem liderar articulações
Após a prisão de Jair Bolsonaro, seus filhos e aliados próximos deram início a uma reorganização interna para definir quem representará o ex-presidente. O senador Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tendem a concentrar as articulações políticas.
Flávio Bolsonaro busca firmar-se como o porta-voz institucional, adotando um discurso de cautela e buscando alinhamento com correligionários para evitar contradições. Já Michelle Bolsonaro conta com o apoio de parlamentares cristãos e bolsonaristas, que a veem como a voz mais legítima do núcleo familiar, principalmente por sua capacidade de mobilizar bases femininas e religiosas.
O processo de organização começou no final de semana, quando Flávio e Carlos Bolsonaro se reuniram reservadamente com senadores e deputados aliados em Brasília, na proximidade do condomínio onde Bolsonaro fazia prisão domiciliar. A reunião foi a primeira iniciativa para definir a linha de ação do grupo.
Durante o encontro, Flávio conduziu a maior parte da conversa, ouvindo opiniões e discutindo prioridades para o Congresso, incluindo menções ao projeto de anistia para envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Aliados admitiram que há uma ordem de prioridade sendo construída para as lideranças, com Flávio buscando consolidar o papel de porta-voz institucional, apoiado por líderes do Centrão e da ala tradicional do PL. Michelle, por sua vez, mantém respaldo entre parlamentares classificados como cristãos e deputadas bolsonaristas.
O presidente do PP, Ciro Nogueira, afirmou que é natural que apenas Flávio e Michelle falem por Bolsonaro, destacando que Flávio deve assumir mais o papel de porta-voz.
Deputados aliados reforçam o equilíbrio e conhecimento político de Flávio, considerando-o preparado para conduzir negociações e organizar a reação da direita no Congresso. Michelle é vista como capaz de amenizar o impacto da prisão em segmentos sensíveis do eleitorado e fortalecer o discurso de perseguição.
Atualmente, a coordenação da família é fragmentada: Carlos Bolsonaro continua responsável pelas redes sociais; Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos, busca repercutir o caso no exterior; Jair Renan acompanha os irmãos. Parlamentares avaliam que apenas Flávio mantém um diálogo contínuo com líderes partidários e condições de estruturar respostas políticas imediatas.
A definição sobre quem será o porta-voz dependerá do grau de acesso e rotina de visitas de cada familiar ao ex-presidente.
Créditos: O Globo