Internacional
15:09

Fluxo na fronteira Brasil-Venezuela é normal após ação dos EUA contra Maduro

A circulação na fronteira terrestre entre Brasil e Venezuela, em Pacaraima (RR), segue considerada “normal para um domingo”, mesmo após a operação dos Estados Unidos para capturar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Conforme relato de um policial federal, a maioria dos venezuelanos que entrou em Roraima não relaciona a migração à ofensiva americana.

O ponto de passagem ficou fechado das 3h às 13h do dia anterior, sendo reaberto de forma gradual. Inicialmente, apenas veículos com placas venezuelanas puderam atravessar a fronteira. Depois, o tráfego foi liberado para veículos brasileiros e de países do Mercosul. Até a tarde de hoje, as autoridades locais classificaram a movimentação como “normal para um domingo”.

Agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Força Nacional e do Exército mantêm bloqueios e realizam fiscalização de pessoas que tentam entrar ou sair do Brasil a pé, de carro ou de moto. Eles conferem documentos, bagagens e questionam os motivos das entradas ou saídas.

Apesar de alguns citarem “problemas políticos” como fundamentação, a principal razão para a migração continua sendo a mesma de anos: miséria, falta de emprego e fome. Muitos buscam no Brasil a oportunidade de reconstruir suas vidas e sustentar suas famílias.

Poucos metros após a fronteira, em território brasileiro, há um abrigo destinado a receber venezuelanos em situação vulnerável, oferecendo local para dormir, banho e água potável. Contudo, aos finais de semana, esse espaço permanece fechado.

Por isso, muitos imigrantes se protegem sob uma cobertura metálica instalada na área de imigração, tentando escapar do sol enquanto aguardam a segunda-feira, muitos sem saber o que os espera adiante.

É o caso de Ángel Esquerda, 40 anos, que chegou a Pacaraima após três dias viajando de carona. A viagem, planejada há dois meses, foi adiada várias vezes por falta de recursos.

“Quero chegar ao Brasil por tudo. Na Venezuela não tenho dinheiro, comida, casa, pai, mãe. Há muitos conflitos. No Brasil, devo conseguir um trabalho e espero ter uma vida melhor”, afirmou à reportagem.

Sem ter ainda onde morar ou onde trabalhar, Esquerda mantém a esperança. “Pior do que na Venezuela não vai ser. Tenho muitos amigos que vieram para o Brasil e conseguiram melhorar de vida. Vai acontecer comigo também.”

Créditos: UOL Notícias

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