Forças de segurança iranianas matam 45 em protestos contra governo
Uma organização de direitos humanos relatou que forças de segurança do Irã mataram pelo menos 45 manifestantes durante uma onda de protestos contra o governo.
Entre os mortos estão oito menores de idade. A Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, afirmou que o dia 8 de janeiro foi o mais violento desde o início das manifestações, com 13 mortes confirmadas.
Além disso, há relatos de “centenas” de feridos e ao menos 2 mil prisões, segundo a organização. Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da IHR, afirmou que a repressão tem se tornado cada vez mais violenta e abrangente diariamente. Imagens nas redes sociais mostram manifestantes nas ruas de Teerã.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, acusou os manifestantes de atacarem propriedades públicas e alertou que não tolerará pessoas que agem como “mercenários estrangeiros”.
O presidente do país pediu que a polícia faça distinção entre manifestantes legítimos, motivados por questões econômicas, e “desordeiros” que ameaçam a segurança nacional. Masoud Pezeshkian solicitou contenção máxima e evitação de comportamentos violentos ou coercitivos.
Nos Estados Unidos, o presidente Trump ameaçou ações severas contra o Irã caso o país começasse a matar pessoas, afirmando que Washington responderia com força. Porém, ele não confirmou apoio a Reza Pahlavi, exilado e filho do falecido xá, que tem convocado protestos por meio das redes sociais.
Os protestos se espalharam por diversas regiões do Irã, atingindo 348 locais nas 31 províncias, segundo a Human Rights Activists News Agency (Hrana), sediada nos EUA. Estas manifestações são as maiores desde 2022 e começaram com revoltas na capital devido ao alto custo de vida e problemas econômicos.
O agravamento se deu após a desvalorização acentuada do rial acompanhada de sanções internacionais, enquanto o país ainda lida com os impactos da guerra contra Israel em junho.
A mobilização teve origem no fechamento de um mercado popular em Teerã em 28 de dezembro e se intensificou com a queda histórica da moeda nacional, levando às manifestações em larga escala que questionam a legitimidade do governo islâmico.
Dados da empresa Cloudflare indicaram uma queda de 90% no tráfego da web na noite de quinta-feira, com acesso restrito a partes do governo e segurança. O bloqueio na internet tem dificultado a saída de informações do país, repetindo apagões registrados nos protestos de 2022 e 2023.
Créditos: UOL