Freiras austríacas viralizam e desafiam Igreja ao voltar para convento
Três freiras da Áustria — irmã Bernadette (88 anos), irmã Regina (86) e irmã Rita (82) — protagonizam um drama incomum. Internadas contra a vontade em uma casa de repouso, fugiram em setembro para o convento onde viveram por décadas, com ajuda de ex-alunas e até um chaveiro.
A história ganhou enorme repercussão: vídeos mostrando sua rotina, orações, refeições e até exercícios com luvas de boxe viralizaram. Elas conquistaram quase 100 mil seguidores no Instagram e milhares no Facebook em poucas semanas, tornando-se um fenômeno online.
No entanto, essa popularidade digital gerou conflito. O superior delas, Markus Grasl, classificou o retorno ao convento como “incompreensível” e exigiu seu retorno à casa de repouso. O impasse persiste há quase três meses.
Após reunião, a Igreja autorizou que permaneçam no convento, mas com condições rigorosas: devem abandonar as redes sociais, com restrição de visitantes no local. Em troca, receberão assistência médica e espiritual, mantendo o direito à moradia no convento.
A decisão final cabe às freiras, que ainda não informaram se aceitam as exigências.
O convento Goldenstein tem longa história. Localizado no castelo Schloss Goldenstein, foi escola para meninas desde 1877 e ainda funciona. Bernadette estudou lá desde 1948; entre as ex-alunas está a famosa atriz Romy Schneider.
Regina entrou no convento em 1958, Rita em 1962. As três lecionaram por anos, com Regina chegando a ser diretora. A comunidade religiosa foi dissolvida em 2024 após controle passar à Arquidiocese de Salzburgo e à Abadia de Reichersberg. As irmãs receberam permissão para ficar enquanto mantivessem boa saúde.
Porém, a decisão de enviá-las à casa de repouso no final de 2023 desencadeou o conflito.
As freiras preferem ficar no convento, seu lar de quase toda a vida. Bernadette declarou à BBC: “Antes que eu morra naquela casa de idosos, prefiro ir para uma campina e entrar na eternidade assim.”
Essa frase fortaleceu seus apoiadores e aumentou a atenção nas redes, que a Igreja tenta conter.
O futuro depende da resposta das religiosas: abrir mão da fama digital para permanecer no convento ou enfrentar a hierarquia novamente?
Esse caso reflete o debate entre tradição e internet, resistência e autoridade, fé e viralização, ilustrando como até a vida monástica pode se tornar um fenômeno digital.
Créditos: Gizmodo