Política
21:04

Governadores de direita publicamente criticam a PEC da Blindagem aprovada na Câmara

Governadores alinhados à direita expressaram críticas à PEC da Blindagem, recentemente aprovada pela Câmara dos Deputados, que garante proteção a políticos contra investigações.

Ratinho Júnior (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO) apontaram um “divórcio do Congresso com o povo” e solicitaram que o Senado rejeite a proposta. Paralelamente, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) não se pronunciou, o que provocou críticas.

Ratinho Júnior chamou a proposta de “inapropriada” e “pouco debatida dada a importância do tema”. Em evento na Associação Comercial de São Paulo, ele questionou o momento escolhido para pautar o projeto e destacou que deputados que apoiaram a medida estão agora recuando.

Ele declarou: “Quem comete um ato deve pagar como qualquer cidadão. A sociedade lutou por muito tempo contra o foro privilegiado, e hoje vemos uma medida que muda toda essa lógica. Foi precipitada a atitude da Câmara a ponto de muitos parlamentares afirmarem que não sabiam o que estavam votando.”

Caiado, por sua vez, em postagem nas redes sociais, afirmou que a proposta representa “o divórcio do Congresso Nacional com o povo brasileiro e terá consequências negativas para a política nacional”. Para ele, a PEC é “um convite para o crime organizado entrar no Congresso pela porta da frente, disputando votos nas urnas para proteger líderes de facções do alcance da justiça”. Ele espera que o Senado corrija esse erro rejeitando a medida.

Zema também criticou a iniciativa em entrevista ao Estadão, declarando que está alinhado com seu partido, o Novo, que votou contrariamente à PEC de forma unânime. Ele apontou que a proposta criou o voto secreto para proteger deputados flagrados em atos ilícitos, concedeu foro privilegiado a dirigentes partidários e travou investigações contra políticos criminosos.

Embora crítico dos abusos do STF, Zema frisou que a direita não deve apoiar a PEC.

Diferentemente dos demais governadores da direita, Tarcísio de Freitas ainda não se manifestou sobre a proposta. Suas recentes intervenções, como críticas ao Supremo no 7 de setembro na Avenida Paulista, têm sido alvo de questionamentos, inclusive do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP).

Boulos publicou no X que Tarcísio permanece em silêncio apesar do avanço de denúncias, citando casos recentes de escândalos envolvendo pagamentos de propinas a auditores fiscais no estado de São Paulo.

Em evento recente, Tarcísio comentou que o campo da direita aparenta estar “desorganizado”, mas confia na força do grupo para vencer as eleições. Na ocasião, manteve a percepção de aliança com Romeu Zema, conforme relatos de participantes ao GLOBO.

Créditos: O Globo

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