Governo amplia demissões e prepara reestruturação na Caixa após derrota na Câmara
O governo federal está acelerando a demissão de antigos aliados como parte de uma reestruturação estratégica, principalmente na Caixa Econômica Federal, onde diversas das 12 vice-presidências devem ser renovadas. Essas mudanças vêm como reação à derrota sofrida na Câmara dos Deputados sobre a medida provisória relacionada ao IOF.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que desligar quem não apoia a reeleição de Lula é um procedimento natural. A reorganização também busca fortalecer a base aliada para votações futuras importantes, como o Orçamento.
O Palácio do Planalto iniciou a substituição de indicados por ex-aliados, mirando agora cargos relevantes destinados ao Centrão, especialmente na Caixa, que financia políticas públicas regionais. Já ocorreram ajustes em assessorias e na Vice-Presidência de Sustentabilidade e Cidadania Digital.
Essa estratégia foi debatida em reunião recente entre Gleisi e o presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira Fernandes, indicado por Arthur Lira, ex-presidente da Câmara. Fernandes permanece no cargo, mas servidores ligados a parlamentares considerados infiéis serão exonerados.
A Secretaria de Relações Institucionais, com aprovação do presidente Lula, realiza um pente-fino para contestar a derrota da MP do IOF na Câmara. Gleisi classificou como esperada a saída dos que não aderem ao projeto de reeleição do presidente.
As vice-presidências da Caixa são atualmente ocupadas por indicados de PP, PDT e Republicanos, com exceção de algumas nomeações técnicas ou ligadas diretamente ao PT, como Inês Magalhães, responsável pelo programa Minha Casa Minha Vida.
Além das conversas com Lira, Gleisi reuniu-se também com ele para tratar, de modo geral, das nomeações indicadas por deputados, não especificamente da Caixa. Como Lira não participou da votação da MP, a SRI foca em cargos ligados aos 251 deputados que a rejeitaram.
Recentemente, José Trabulo Júnior, que tinha ligações com o senador Ciro Nogueira (PP), foi removido da presidência consultiva da Caixa. Na vice-presidência de Sustentabilidade e Cidadania Digital, Rodrigo Lemos foi substituído interinamente por Jean Rodrigues Benevides. Essa vaga era atribuída ao PL, que tem votado em favor da equipe econômica em várias questões.
Houve pressão para que Lira fosse punido e seus indicados desligados, especialmente na Caixa, mas Gleisi resistiu a isso pois ele se absteve na votação, mesmo com seu partido orientando contra. Contudo, insatisfações persistem dentro do PT quanto à postura de Lira, que não colaborou diretamente para evitar a derrota.
Diferente de Lira, o atual presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos, tentou mediar o tema e indicou para a vice-presidência de Governo da Caixa. Ambos, Lira e Motta, não se pronunciaram sobre as demissões.
Deputados do Centrão expressaram descontentamento com as demissões, classificando a ação como um movimento pouco inteligente que pode atrapalhar futuras votações, como a do Orçamento e análises de vetos presidenciais.
Além da Caixa, outras mudanças ocorreram em indicações de deputados. Gleisi e o líder governista na Câmara, José Guimarães, afirmaram que todos que votaram contra a MP perderão seus cargos.
Por exemplo, a irmã do líder do União Brasil Pedro Lucas Fernandes foi desligada da superintendência do Iphan no Maranhão. O deputado Gustinho Ribeiro perdeu uma indicação no Dnocs em Sergipe. O Republicanos também teve um cargo trocado no Ministério da Integração Nacional, atribuído a Gil Cutrim, que nega a indicação.
O deputado Arthur Maia divulgou vídeo sobre a saída de seu indicado Harley Xavieer da superintendência da Codevasf na Bahia, destacando sua contribuição histórica. Também houve remoções em cargos vinculados ao PSD no Ministério da Agricultura e ao MDB no Dnit.
No Paraná, Maranhão, Pará e Minas Gerais, estados com deputados do PSD que votaram contra a medida provisória, as superintendências foram alteradas. A superintendência do Dnit em Roraima foi trocada após a deputada Helena Lima (MDB-RR), indicada para o cargo, também votar contra a medida. Nem o líder do PSD na Câmara nem a deputada comentaram sobre as mudanças.
Créditos: O Globo