Internacional
09:05

Governo brasileiro se prepara para possível impasse em encontro Lula-Trump

Após os gestos iniciais de aproximação, o governo do Brasil se prepara para enfrentar possíveis dificuldades na primeira reunião formal entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente dos EUA, Donald Trump.

Embora essa aproximação tenha sido vista como um momento para diminuir as tensões na relação bilateral, há o receio de que a Casa Branca possa criar situações desconfortáveis para Lula, semelhantes às vividas por líderes como Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, ou Volodymir Zelensky em encontros no Salão Oval.

Diante desta preocupação, interlocutores do governo brasileiro se empenham em proteger Lula de situações constrangedoras, mesmo que a reunião ocorra apenas por telefone.

Na terça-feira, em uma sala próxima ao saguão da Assembleia Geral da ONU, os dois líderes tiveram um breve encontro, cuidadosamente planejado e negociado detalhadamente, segundo revelou o UOL.

Nos bastidores, empresários brasileiros, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mediadores internacionais e empresas de lobby em Washington atuaram para viabilizar o encontro, mantendo sigilo para evitar que o bolsonarismo utilizasse suas conexões com a ala radical do trumpismo para sabotar o esforço.

A sabotagem promovida por Eduardo Bolsonaro em ocasiões anteriores fez com que os mediadores optassem pela surpresa.

A expectativa era tão grande que a ONU reservou uma sala para um possível encontro de até dez minutos entre Lula e Trump.

Entretanto, atrasos, organização do cerimonial e discursos impediram que a conversa fosse prolongada. Trump aguardou antes de entrar na Assembleia Geral, e o encontro breve, que vinha sendo ensaiado há meses, acabou ocorrendo de forma rápida.

Mesmo em pé, os presidentes combinaram realizar uma reunião futura. Durante essa troca rápida de palavras, outros chefes de Estado não compreenderam o que ocorria, aguardando a entrada de Trump no salão principal para seu discurso. “Que bom que eu esperei”, afirmou Trump no púlpito.

O setor privado brasileiro teve papel fundamental para afastar a influência negativa de Eduardo Bolsonaro e do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que vinha endurecendo críticas e se aliando ao bolsonarismo.

Segundo fontes, Rubio foi desautorizado pela iniciativa privada dos Estados Unidos, que preferiu apoiar os empresários brasileiros.

No voo de retorno de Nova York ao Brasil, integrantes do governo comemoravam o sucesso do encontro, destacando que “quatro meses de trabalho de Eduardo Bolsonaro foram destruídos em 39 segundos”.

Com os canais diplomáticos oficiais entre Brasil e EUA bloqueados e a embaixada brasileira em Washington sem capacidade de manter contato eficaz, o desafio agora é transformar esse breve contato em um encontro produtivo.

O setor privado brasileiro entregou ao vice-presidente Geraldo Alckmin um conjunto de temas que poderiam atrair positivamente Trump, como mineração de terras raras, minérios e inteligência artificial.

Do lado americano, a Casa Branca recebeu o aviso de que trazer o destino de Jair Bolsonaro para a negociação encerraria as discussões antes de começarem.

Também houve um possível mal-entendido: a diplomacia americana saiu de Nova York acreditando que Trump e Lula haviam acertado uma reunião presencial na Casa Branca para a semana seguinte, mas o chanceler brasileiro Mauro Vieira esclareceu que Lula não teria tempo para voltar aos EUA, e que o encontro seria, portanto, por telefone.

Créditos: UOL

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