Hamas anuncia acordo de paz com Israel com cessar-fogo permanente e troca de prisioneiros
Khalil al-Hayya, figura importante do Hamas, declarou nesta quinta-feira (9/10) que recebeu garantias dos Estados Unidos e de mediadores envolvidos nas negociações de paz com Israel de que “a guerra terminou completamente”.
Segundo Hayya, o acordo prevê um “cessar-fogo permanente”, retirada das tropas israelenses, entrada de ajuda humanitária e a reabertura da passagem de Rafah.
Ele também mencionou que a “troca de prisioneiros” prevista no acordo resultará na prisão perpétua de 250 pessoas e na libertação de 1.700 detidos de Gaza presos após 7 de outubro, além de todas as mulheres e crianças.
Hayya acrescentou que o Hamas está finalizando as etapas restantes do acordo.
No entanto, o governo israelense ainda não confirmou o acordo de cessar-fogo, e tanto Israel quanto os EUA não comentaram a declaração do Hamas.
Paralelamente, a Agência de Defesa Civil de Gaza, administrada pelo Hamas, informou que trabalha no local de um ataque a uma casa na cidade de Gaza, onde mais de 40 pessoas estariam presas sob os escombros. Até o momento, duas mulheres foram resgatadas.
A emissora pública israelense Kann citou uma fonte militar que reafirmou que um ataque a um prédio residencial em Gaza teve como alvo uma estrutura ligada a atividades contra as Forças de Defesa de Israel (IDF).
Itamar Ben-Gvir, ministro da direita radical israelense, declarou que votará pela derrubada do governo caso o Hamas não seja “desmantelado”. Ele disse que o partido Otzma Yehudit, do qual faz parte, desmantelará o governo se o Hamas continuar existindo sob outra aparência.
Ben-Gvir afirmou ainda que se oporá a qualquer proposta de acordo de paz que resulte na libertação de prisioneiros acusados de assassinato por Israel.
Na quarta-feira (8/10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a aprovação do “primeiro estágio de um acordo de paz entre Israel e o Hamas” para Gaza, que poderia pôr fim ao conflito na região.
O anúncio aconteceu dois anos e dois dias após Israel iniciar uma ofensiva militar na Faixa de Gaza, em resposta ao ataque de 7 de outubro de 2023, quando homens armados liderados pelo Hamas mataram cerca de 1.200 pessoas e fizeram 251 reféns.
Desde então, mais de 67 mil pessoas foram mortas nas operações militares israelenses em Gaza, incluindo cerca de 20 mil crianças, segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, qualificou o momento como “um grande dia para Israel” e informou que seu governo se reuniria para aprovar o acordo e trazer todos os reféns para casa.
Confirmando o anúncio, o Hamas declarou que o pacto encerra a guerra em Gaza, assegura a retirada completa das forças de ocupação, permite a entrada de ajuda humanitária e estabelece uma troca de prisioneiros.
Na Casa Branca, ao ser questionado sobre a possibilidade de um Estado palestino futuro, Trump respondeu que “vamos ver como tudo vai”, e que poderá haver algo “um pouco diferente e talvez muito positivo para todos”.
O plano de paz, com 20 pontos, sugere que a criação de um Estado palestino poderá ocorrer se determinadas condições forem atendidas.
Trump planeja visitar Israel e Egito no fim de semana, durante uma viagem ao Oriente Médio.
Fora da região, líderes europeus e árabes se reuniram em Paris, liderados pelo presidente francês Emmanuel Macron, para discutir a próxima fase do plano de paz. Participaram França, Alemanha, Reino Unido, Espanha, além de representantes do Egito, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.
A secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, declarou que o Hamas não pode ter papel em Gaza.
Créditos: BBC News Brasil