Hamas libera sete reféns após dois anos de conflito com Israel
Após dois anos de cativeiro, sete dos 20 reféns vivos dos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 foram liberados nesta segunda-feira (13). Eles já se encontram sob os cuidados da Cruz Vermelha, segundo fonte do governo israelense. Os libertados são Eitan Mor, Gali e Ziv Berman, Matan Angrest, Guy Guilboa-Dalal, Alon Ohel e Omri Meiran.
Além disso, metade dos 28 corpos das pessoas que morreram sob controle do Hamas na Faixa de Gaza devem ser entregues nesta segunda, com o restante previsto para etapas futuras do acordo de trégua firmado entre a facção e Israel na semana anterior. Incluem-se entre os restos mortais também os de um soldado israelense morto em 2014 em um conflito anterior na região.
Sob mediação da Cruz Vermelha, os reféns foram encaminhados às tropas israelenses presentes em Gaza e devem seguir para a base militar de Re’im, onde estão aguardados por seus familiares.
O acordo de paz, baseado em um plano de 20 pontos sugerido pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, também prevê que Israel liberte 250 prisioneiros palestinos e 1.700 moradores de Gaza detidos desde o início do conflito.
Nos últimos dias, houve celebrações em Israel após o anúncio do acordo. No sábado, milhares de israelenses se reuniram na Praça dos Reféns, em Tel Aviv, para marcar os 735 dias desde os ataques do Hamas, muitos vestindo camisetas com imagens dos reféns.
“Sinto uma emoção imensa, não tenho palavras para descrevê-la — para mim, para nós, para todo Israel, que espera o retorno dos reféns”, disse à AFP Einav Zangauker, mãe de um dos sequestrados.
No evento, participaram o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, o genro de Trump, Jared Kushner, e sua filha Ivanka Trump, sendo aplaudidos, enquanto menções ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, geravam vaias.
O primo de um refém morto declarou à BBC Radio 4 que, apesar de reconhecer a importância do resgate, questiona o papel americano e a ausência de autoridades israelenses no evento.
Trump visitou Israel brevemente antes de participar em Sharm el-Sheikh, Egito, de uma cúpula pela paz com líderes como o egípcio Abdul Fatah Al-Sisi, o secretário-geral da ONU Antonio Guterres, e chefes de governo de Reino Unido, França, Espanha, Itália e Turquia. O gabinete de Netanyahu anunciou que nenhuma autoridade israelense participaria da reunião, assim como o Hamas.
Embora haja avanços nas negociações, os mediadores ainda enfrentam o desafio de assegurar uma solução política duradoura que leve o Hamas a desarmar.
O processo inclui três fases: inicialmente, a Cruz Vermelha coordena a troca e transferência dos reféns a Israel, passando para avaliação médica e encontro familiar na base de Re’im, com posterior transporte aos hospitais Sheba, Ichilov e Beilinson.
Paralelamente, a Cruz Vermelha prepara o transporte dos corpos para cerimônias militares e identificação oficial antes da notificação às famílias.
A notícia foi divulgada com base em informações da AFP.
Créditos: Folha de S.Paulo