Internacional
12:07

Hamas pede mais tempo para responder a plano de paz de Trump e Netanyahu

O Hamas solicitou prazo adicional para responder ao plano de paz para Gaza apresentado pelo presidente americano Donald Trump e pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Desde o início da semana, líderes do grupo se reúnem em Doha, no Catar, para debater a proposta, que inclui exigências como o desarmamento total do Hamas e sua exclusão do cenário político futuro da Faixa de Gaza.

Fontes do grupo informaram à imprensa que as consultas continuam e que o tempo inicialmente previsto por Trump, de três a quatro dias para resposta, será insuficiente.

Um integrante do alto escalão do Hamas, que falou sob condição de anonimato à AFP, declarou que as discussões prosseguem e mais tempo é necessário.

A rodada atual de negociações no Catar conta com participação de novos países influentes na região, como a Turquia, que pressiona pela aceitação do plano para encerrar o conflito, que está próximo de completar dois anos.

No início das deliberações, representantes palestinos indicaram que o posicionamento do Hamas permanece indefinido, devido às dificuldades de alinhamento entre os membros da liderança e os grupos ativos em Gaza.

O plano de paz, composto por 20 pontos, recebeu amplo apoio internacional, incluindo de Netanyahu, que classificou sua apresentação na Casa Branca como um marco histórico, afirmando que ele “virou o jogo para Israel” e isolou o Hamas.

Porém, certos termos da proposta causam preocupação dentro do Hamas, como a falta de definição sobre o prazo e condições para a retirada total das tropas israelenses do território palestino, mencionada no texto em etapas mas sem cronograma claro.

Além disso, há divergências internas quanto ao desarmamento do grupo. Enquanto uma parcela apoia a aprovação incondicional priorizando o cessar-fogo garantido por Trump, outra reserva-se a aprovar a proposta somente com ajustes que respeitem as demandas do Hamas e das facções resistenciais, rejeitando o desarmamento obrigatório e a expulsão de palestinos de Gaza.

O pesquisador Hugh Lovatt, do Conselho Europeu de Relações Internacionais, destacou que o Catar pode exercer pressão pela aprovação, mas que o desafio é convencer não apenas os líderes do Hamas em Doha, mas também os combatentes em Gaza.

Um representante palestino afirmou que os líderes do Hamas em Gaza buscam garantias contra tentativas de assassinato dentro e fora do território.

Mohamed Nazal, membro do comitê político do Hamas, declarou em comunicado nesta sexta-feira que o grupo está em contato com mediadores e partidos árabes e islâmicos, levando a sério a ideia de um acordo, e que em breve divulgará sua posição.

(Com AFP)

Créditos: O Globo

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