Internacional
15:05

Hamas reafirma controle em Gaza e enfrenta colaboradores após cessar-fogo

Com o estabelecimento do cessar-fogo em Gaza, o Hamas está reconfirmando seu controle sobre partes do território não ocupadas pelas forças israelenses, enquanto permanece a incerteza sobre a segurança caso o grupo seja desarmado.

No sábado (11), as forças de segurança interna do Hamas foram vistas nas ruas da Cidade de Gaza, e relatos recentes indicam confrontos entre o grupo e clãs opositores.

A Frente Interna Palestina, ligada ao Hamas, informou no domingo (12) que vários colaboradores e informantes foram presos na Cidade de Gaza, acusados de espionagem para o inimigo e de participação em assassinatos de membros da resistência.

Segundo o canal, os serviços de segurança e resistência promovem uma ampla campanha em toda a Faixa de Gaza para localizar e deter colaboradores.

No sábado, vídeos de canais afiliados ao Hamas mostraram um suposto colaborador sendo espancado, além de membros armados e mascarados do grupo circulando por mercados de rua na Cidade de Gaza. Imagens compartilhadas pelo Ministério do Interior, controlado pelo Hamas, mostram policiais armados interagindo com moradores locais.

O Hamas mantém desde longamente um controle rígido sobre Gaza, que persistiu mesmo durante a guerra. A CNN relatou que o grupo executou e mutilou alegados saqueadores, demonstrando a continuidade do seu poder apesar do enfraquecimento israelense.

Uma anistia de uma semana foi declarada pelo Ministério do Interior a partir de segunda-feira, destinada a membros de gangues criminosas que não estejam envolvidas em derramamento de sangue ou assassinatos.

Contudo, o domínio do Hamas tem sido contestado por vários clãs, especialmente no sul de Gaza, alguns recebendo proteção do Exército israelense.

Relatos em redes sociais afiliadas ao Hamas destacaram confrontos na área de Sabra entre uma família influente e forças de segurança, resultando na morte de Muhammad Imad Aql, filho de um alto comandante do Hamas.

Na noite de sexta-feira, forças do Hamas cercaram o bairro da família Dughmush. Fontes indicaram várias mortes na família e a mobilização de um grande grupo armado em torno do hospital jordaniano na Cidade de Gaza.

No domingo, a CNN confirmou que os confrontos seguem na região.

No sul, um grupo opositor ao Hamas, as Forças Populares, recusou-se a depor as armas. Este grupo, que escolta remessas de ajuda, desafiou o Hamas, que se referiu a eles como gangue criminosa.

Hussam al-Astal, um dos comandantes das Forças Populares, declarou nas redes sociais que o Hamas perdeu seu poder e convocou à rendição.

Al-Astal ainda afirmou ao Canal 12 de Israel que buscam ser uma alternativa ao Hamas, denunciando a guerra psicológica promovida pelo grupo e seu esforço em monopolizar o controle da Faixa de Gaza.

Acredita-se que membros das Forças Populares se moveram para uma região conhecida como “linha amarela”, onde a presença israelense ainda persiste.

A forma como a segurança e o policiamento funcionarão em Gaza nas próximas semanas permanece incerta.

Israel exige o desarmamento do Hamas, que resiste a essa medida.

O plano de paz de 20 pontos proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, prevê anistia para membros do Hamas que aceitarem a coexistência pacífica e o desmantelamento das armas. Esse plano inclui a desmilitarização de Gaza supervisionada por monitores independentes e o envio imediato de uma Força Internacional de Estabilização (ISF) para treinar e apoiar as forças policiais palestinas.

Entretanto, detalhes importantes relativos à força de segurança e supervisão internacional ainda não foram definidos.

Especialistas do think tank Chatham House, em Londres, apontam que a implantação da ISF em larga escala será um desafio logístico e de coordenação, especialmente diante da crise humanitária e dos danos à infraestrutura local.

As perdas na força policial de Gaza durante o conflito agravaram a segurança, facilitando saques.

Espera-se que Jordânia e Egito liderem o treinamento e a supervisão da nova força policial. Porém, não se sabe quando ela começará a atuar nas ruas nem se as forças internas do Hamas serão desativadas em seguida.

Créditos: CNN Brasil

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