Política
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Hugo Motta defende PL Antifacção e desafia governo Lula após aprovação na Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), finaliza a tramitação do Projeto de Lei Antifacção alinhado com a ala bolsonarista. Além de indicar Guilherme Derrite (PP-SP) como relator, usou a aprovação do texto, alterado em relação à versão original do Ministério da Justiça, para criticar o governo Lula (PT).

Em entrevista à Jovem Pan em 19 de julho, Motta afirmou que o Palácio do Planalto terá de justificar a falta de apoio à versão final do projeto. Ele classificou a aprovação como uma vitória da sociedade e de quem busca mais segurança.

Suas declarações pós-votação acompanharam o discurso de deputados bolsonaristas, que ironizaram a oposição do governo ao texto de Derrite.

Nos próximos dias, a tramitação de outros projetos delicados para o governo, como a PEC da Segurança, mostrará se a relação entre Lula e Motta sofreu um abalo relevante.

Líder do PT na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (RJ) apontou existir uma “crise de confiança” e mencionou a derrota do Planalto na medida provisória do IOF. Ele ressaltou que o governo soube virar o jogo e acredita que isso ocorrerá novamente.

Motta, alvo principal do desgaste em torno da PEC da Blindagem — aprovada pela Câmara mas rejeitada no Senado —, concedeu várias entrevistas nos últimos dias para defender o PL Antifacção, tentando controlar a agenda e minimizar críticas governistas.

Ele ajusta seu discurso conforme seus objetivos. Enquanto na Jovem Pan cobrou esclarecimentos de Lula sobre a objeção ao projeto de Derrite, no plenário da Câmara elogiou o governo pelo envio da proposta original.

Lula, ao se posicionar contra o texto, afirmou que ele enfraquece o combate ao crime organizado e cria insegurança jurídica, afirmando que “trocar o certo pelo duvidoso só favorece quem quer escapar da lei.”

O governo espera recuperar parte da versão original do projeto durante a tramitação no Senado. Entre as metas está recuperar a tipificação clara de facções criminosas, reforçar regras sobre o confisco de bens e revisar o desenho dos fundos de segurança pública. O relator será o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

A expectativa de Lula e do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, é que o perfil técnico de Vieira proporcione uma análise com menos tensões e mais diálogo no Senado, além de uma aprovação rápida. A postura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), definirá o ritmo e as chances de êxito do governo.

Créditos: CartaCapital

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