Hugo Motta e Davi Alcolumbre avaliam urgência da anistia para casos do 8 de janeiro
Os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, estão em reuniões com líderes partidários para debater a urgência da aprovação de projeto que anistia os envolvidos nos eventos do 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Um encontro que durou a madrugada não chegou a uma definição sobre o texto a ser votado. Nesta manhã, Motta continua as discussões com líderes do Centrão, e à tarde haverá uma reunião com representantes de todas as bancadas.
Se aprovada, a urgência acelerará a tramitação do projeto, possibilitando votação já na quarta-feira. A decisão sobre a pauta será divulgada após a reunião com líderes dos partidos da Câmara marcada para a manhã do mesmo dia.
Parte dos governistas teme que a falta de apoio do PT à PEC da Blindagem, que dificulta investigações contra parlamentares, possa motivar uma retaliação do Legislativo ao governo, com o apoio à urgência da anistia.
Há também preocupação quanto à Medida Provisória do Setor Elétrico, que reduz a conta de luz e perde validade na quarta-feira, caso não seja aprovada.
Majoritariamente, o Centrão não apoia a anistia ampla e usa a urgência para acelerar a tramitação do texto visando sua derrubada. A estratégia é encerrar o debate sobre anistia ampla que incluiria perdão a Bolsonaro e recuperação da elegibilidade, para depois discutir uma versão mais restrita, com redução de penas.
Essa versão menor beneficiaria o ex-presidente ao atenuar penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal pela trama golpista, mas não o livraria da prisão nem lhe devolveria o direito de disputar eleições. Também beneficiaria o deputado Alexandre Ramagem, igualmente condenado. Entretanto, bolsonaristas rejeitam essa alternativa reduzida.
Alguns líderes planejam votar a urgência da anistia ampla para derrubá-la, então votar a urgência de um projeto com escopo menor.
O PT se posiciona contra qualquer anistia a Bolsonaro e aliados e quer encerrar o tema após eventual derrota da urgência do texto amplo.
Enquanto isso, governistas tentam impedir que a aprovação de qualquer urgência avance, especialmente para evitar a caducidade da MP do Setor Elétrico.
Durante a aprovação da PEC da Blindagem, líderes do Centrão reclaram do PT por votar contra a proposta, que já enfrentava resistência por sua impopularidade.
Antes da votação, um membro da direção do PP sugeriu que deputados do PT fossem excluídos das negociações da anistia. Contudo, 12 petistas apoiaram a PEC.
Parlamentares do Centrão avaliam que a postura do PT e a falta de empenho do governo para articular apoio dificultaram a aprovação da PEC da Blindagem.
Eles interpretam que o governo, ao não atender a uma demanda da Câmara, relaxou o compromisso do Legislativo com as prioridades do Executivo.
Em suma, o governo busca evitar a urgência da anistia ampliada e garantir a aprovação da MP do Setor Elétrico dentro do prazo.
Créditos: O Globo