Política
06:09

Ibaneis nega negociações com Vorcaro sobre compra do Banco Master

O governador Ibaneis Rocha (MDB) afirmou não ter participado de negociações relacionadas à tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo ele, não houve tratativas diretas com o controlador do banco privado, Daniel Vorcaro, sobre a operação envolvendo o banco público. “Nunca tratei nada relacionado ao BRB com o Vorcaro. Todas as tratativas foram feitas pelo Paulo Henrique (Costa) — ex-presidente do BRB”, declarou.

Ibaneis confirmou ter mantido encontros com Vorcaro e até visitado sua residência, mas garantiu que o assunto sobre a compra não foi discutido nesses momentos. Essa versão contrasta com o depoimento de Vorcaro à Polícia Federal, no qual o empresário afirma ter conversado com o governador sobre a operação.

Paulo Henrique Costa está sendo investigado e foi afastado da presidência do BRB por decisão judicial por 60 dias. Após a deflagração da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Vorcaro em novembro, Ibaneis destituiu o presidente do banco do cargo.

Ontem, o PSB e o Cidadania apresentaram à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) pedido de impeachment contra Ibaneis. A denúncia atribui ao governador crime de responsabilidade por sua atuação — e pela omissão, segundo os autores — na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, operação recusada pelo Banco Central e investigada por órgãos de controle e pela Polícia Federal.

O pedido é assinado por Cristovam Buarque, ex-governador e presidente da Comissão Provisória Regional do Cidadania-DF; Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), deputado federal; e Ricardo Cappelli, integrante do Diretório do PSB-DF. Eles afirmam que a tentativa representou “um risco sistêmico elevado ao patrimônio do Distrito Federal”.

Os autores alegam que os fatos ultrapassam erro administrativo, configurando “gestão temerária e politicamente estimulada de recursos públicos”, e destacam que havia “alertas reiterados do mercado financeiro, imprensa especializada e órgãos de controle” sobre os riscos. Criticam a operação por envolver recursos públicos em uma instituição privada com fragilidades financeiras evidentes.

O líder do governo na CLDF, deputado Hermeto (MDB), disse que não vê ambiente político para o impeachment e minimizou as críticas da oposição, afirmando que esta “está no papel dela”. Ele pediu cautela e disse que é necessário aguardar as apurações. “Falam dos encontros, mas ainda não há como saber o teor do encontro. Se encontrar com alguém é crime?”, questionou. Hermeto informou estar em viagem e que retomará o diálogo sobre o tema na segunda-feira.

Rodrigo Dias, presidente do PSB no Distrito Federal, tratou o pedido de impeachment como debate suprapartidário, articulado com outros partidos e parlamentares da oposição. Segundo ele, “essa não é uma pauta de um partido só, essa é uma pauta do cidadão do Distrito Federal” e que o diálogo com outras legendas continuará.

O ex-governador Rodrigo Rollemberg afirmou que o pedido decorre de fatos que confirmam as denúncias do PSB desde o início sobre a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. Segundo ele, “ficou claro, após a operação da Polícia Federal, que o BRB desembolsou R$ 12,2 bilhões em uma operação de compra de títulos inexistentes, que serviu para tentar esconder a aquisição do Banco Master”.

Ricardo Cappelli, da executiva regional do PSB, criticou as propostas do governo para cobrir o déficit no BRB, classificando o cenário como “gravíssimo”. Destacou que usar recursos do caixa do DF para cobrir o prejuízo significaria diminuir investimentos em saúde, educação e segurança pública. Rejeitou também a criação de fundo imobiliário com terrenos públicos ou a transferência de estatais para o banco.

Cristovam Buarque adotou tom severo, considerando as alternativas apresentadas pelo governo como penalizadoras para os brasilienses. Para ele, a sociedade não pode aceitar a “destruição da imagem do BRB” passivamente e conclamou que “a resposta institucional precisa ser o impeachment”.

O Partido Socialismo e Liberdade (PSol) também protocolou pedido de impeachment contra o governador envolvendo o caso Master/BRB. A denúncia aponta indícios de falhas graves de governança, probidade administrativa e defesa do interesse público. O objetivo é apurar se o chefe do Executivo cumpriu o dever de zelo, probidade, impessoalidade e governança.

O documento menciona a controvérsia pública sobre a suposta interlocução do governador com o controlador do Banco Master, apontando versões conflitantes sobre o conteúdo e alcance dessas comunicações, o que para o PSol tem grande gravidade institucional.

O deputado distrital Fábio Felix (PSol) ressaltou que o pedido representa mudança significativa na política do DF. Ele criticou a aprovação rápida do projeto de lei que autorizou a compra do banco Master, votado e aprovado no mesmo dia sem debate. Felix alertou para os impactos financeiros e institucionais, defendendo que a Câmara Legislativa não pode se omitir diante do risco ao patrimônio público.

A polêmica envolvendo o BRB e o Banco Master virou centro de tensões políticas e financeiras no Distrito Federal após o banco público manifestar interesse em adquirir parte do Master, que enfrentava dificuldades financeiras.

O projeto de lei enviado pelo Executivo distrital pedia autorização para a aquisição de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Master, aprovado na CLDF com 14 votos a favor e sete contra.

Após mais de cinco meses de análise desde o protocolo em março de 2025, o Banco Central rejeitou a operação em setembro de 2025, alegando irregularidades e falta de transparência nos ativos do banco privado, o que constituía risco grave para o banco estatal.

O caso ganhou novo capítulo em novembro de 2025 quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, investigando suspeitas de fraudes na emissão e negociação de carteiras de crédito ligadas ao Banco Master. A ação resultou em prisões de executivos do banco e afastamento de dirigentes do BRB.

No processo de impeachment, após protocolo na Câmara Legislativa do Distrito Federal, a Mesa Diretora analisa o pedido e o plenário decide se abre processo por maioria simples. Se aceito, o governador é afastado temporariamente por até 180 dias, com a vice-governadora Celina Leão (PP) assumindo o Executivo.

Depois, um colegiado com cinco deputados distritais e cinco desembargadores analisa o mérito da denúncia, garantindo direito de defesa ao governador. Ele pode perder o mandato e ficar inelegível por oito anos ou retornar ao cargo se absolvido.

Créditos: Correio Braziliense

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